Herança dos portugueses, com influência de outros povos colonizadores, os festejos juninos encontraram no Brasil o reduto ideal. Fortemente ligado à religião católica, o período mantém até hoje ritos e símbolos relacionados aos santos cultuados durante o mês de junho: São João, São Pedro e Santo Antônio. Aqui no Nordeste, as tradições se adaptaram aos costumes locais, transformando-se em uma das grandes manifestações culturais da região.
Fogueira
Segundo a tradição popular, para avisar a Maria do nascimento de seu sobrinho, São João, foi acesa uma fogueira. Daí o costume de colocar fogueiras em frente às casas na noite do dia 24 de junho – dedicada ao santo. Nos ritos pagãos, as fogueiras eram acesas para espantar os maus espíritos que atrapalhavam a prosperidade das colheitas. A tradição se expandiu para os outros santos juninos, cada um representado por um formato de fogueira: a quadrada é de Santo Antônio, a redonda de São João e a triangular de São Pedro. Ao redor das fogueiras, famílias e amigos se reúnem para confraternizar, aproveitando as brasas para assar milho e acender fogos.
Balões e fogos de artifício
Segundo a tradição, os balões eram utilizados para levar mensagens e pedidos aos santos. Devido aos acidentes provocados, o costume de soltar balões foi sendo deixado de lado, mas eles continuam sendo utilizados na decoração. Já os fogos de artifício são utilizados para acordar São João na véspera da festa. Nas bancas de fogos, a variedade é grande, desde os traques de salão e chuvinhas, até rojões e busca-pés. Vale ressaltar que as crianças devem estar acompanhadas por adultos, que, por sua vez, devem se prevenir com luvas durante a soltura de fogos de maior potência, evitando acidentes.
Casamento caipira
Crítica de costumes, a representação do casamento matuto ironiza a tradição do matrimônio e das instituições sociais. O enredo é quase sempre o mesmo: o noivo é obrigado a casar, pois engravidou a noiva antes do casamento. Ao saber disso, tenta fugir, sendo encontrado bêbado pelo sogro, que faz ele se dirigir à igreja sob a ameaça de uma espingarda. O rapaz tenta fugir, obrigando o pai da noiva a chamar o delegado. Só com a chegada deste é que o padre consegue realizar o casamento. No final da encenação, os noivos fazem a festa puxando a quadrilha.
Quadrilha
A "quadrille", dança de salão em pares, surgiu entre os camponeses da Inglaterra, popularizou-se na corte francesa. Aportou no Brasil com os portugueses. As roupas, ricamente adornadas, remetem às que eram utilizadas pelos nobres. Com a popularização, foram incorporados elementos da cultura local, como o chapéu de palha, as peças de couro e tecidos rústicos, mas sempre mantendo o volume da saia dos vestidos e os nomes dos passos, "puxados" com palavras aportuguesadas do francês, como ‘anarriê’, ‘anavantur’ e ‘balancê’.
Bandeirolas
Recortes de tecido ou plástico colorido, as bandeirolas fazem alusão às bandeiras dos santos, estandartes com a imagem de São João, Santo Antônio e São Pedro. As bandeirolas eram utilizadas originalmente para enfeitar os arraiais, mas tornaram-se um dos principais símbolos do período, sendo utilizadas na decoração de festas, residências e casas comerciais.
Pau de Sebo
No alto do mastro de madeira lambuzado com gordura, a quantia em dinheiro é a recompensa para quem conseguir chegar ao topo. O pau de sebo é uma das brincadeiras mais tradicionais dos festejos juninos. Devido à dificuldade para escalar o poste, muitas vezes é necessária a cooperação para alcançar o prêmio. É preciso subir no ombro de amigos ou utilizar artifícios como o "pé de ladrão".
Simpatias
Receita para arrumar marido: à meia-noite da véspera de São João, pegue uma faca nunca usada e enfie no caule de uma bananeira adulta. No dia seguinte, nas primeiras horas da manhã, retire a faca. A letra que aparecer na lâmina revela a primeira letra do nome da pessoa amada. Fé e superstição se misturam em meio à festa, e quem mais "sofre" é Santo Antônio – o casamenteiro. As principais simpatias mandam amarrar o santo, colocá-lo na geladeira ou esconder o menino que ele segura no colo.
Comidas típicas
Completando a lista de tradições juninas, a culinária não podia ficar de fora. A mesa junina é farta, aproveitando os produtos que são colhidos durante o mês de julho, a exemplo do milho e da mandioca, que aliados ao coco e ao amendoim são a base de pratos como canjica, pé de moleque, tapioca, mungunzá, paçoca, pamonha, cocada, arroz doce e bolos variados. Para esquentar as noites frias do mês de julho, licores, cachaça e o quentão, bebida feita com vinho ou cachaça, fervido com especiarias como cravo, canela e gengibre.
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