Os festejos juninos tiveram origem nos antigos povos europeus e encontraram lugar fértil para se estabelecer no Nordeste brasileiro. De acordo com os historiadores, essa festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial, mas houve grande influência de elementos dos chineses, espanhóis, ingleses e franceses.
Com o tempo, as danças e hábitos desses povos foram se misturando aos aspectos culturais dos brasileiros, tomando características particulares em cada região do país. As festividades dos santos católicos no mês de junho eram chamadas inicialmente de ‘joaninas’ e a origem remonta aos países europeus no século IV. Quando chegaram ao Brasil passaram a se chamar ‘juninas’ e foram incorporadas aos costumes dos povos indígenas e negros.
Essas tradições sobreviveram ao tempo e se consolidaram fortemente nas pequenas e médias cidades do Brasil. Quando chega o mês de junho crianças, jovens e adultos repetem, sem consciência, gestos cheios de simbolismo e de vínculos, que expressam valores e condutas que o tempo tem ocultado. Os símbolos como as fogueiras e as quadrilhas, as comidas de milho e coco e a queima de fogos deram uma contribuição valiosa para a construção da identidade cultural nordestina. Tanto é que as festas juninas têm sobrevivido íntegras no Nordeste brasileiro, como um bem dos mais importantes e antigos.
Fogueira
De origem européia, as fogueiras juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão – quando o sol mudava de posição e os povos antigos iam louvar a fertilidade da terra. Assim como a cristianização da árvore pagã ‘sempre verde’ em árvore de Natal, a fogueira do dia 24 de junho tornou-se pouco a pouco na Idade Média um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia.
Com o tempo essa festa profana, como tantas outras, acabou incorporada à tradição cristã da fogueira acesa por Isabel, símbolo do anúncio do nascimento de seu filho João, primo carnal do Jesus Cristo. E com os deuses pagãos substituídos por essa criança que depois cresceu, virou apóstolo, deu a vida pelo salvador e acabou virando santo, surgiu a tradição de saudar São João acendendo fogueiras nas portas das casas nordestinas. O formato da fogueira varia de lugar para lugar: pode ser quadrada, piramidal e empilhada.
Ainda hoje, a fogueira é o traço comum que une todas as festas de São João brasileiras e européias – da Estônia a Portugal; da Finlândia à França.O habito de acender fogueiras nos fetejos juninos encontrou sólo fértil no Nodeste do país, sobretudo no interior e nas cidades de médio porte. Nas noites de Santo Antônio, São João e São Pedro as famílias se juntam ao redor do fogo para criar motivos de convivência e confraternização. É o momento de assar o milho, soltar fogos, dançar quadrilha, fazer simpatias e brincadeiras.
Quadrilhas
As orquestras francesas vinham tocar no Brasil colonial para se apresentar nos palácios entre os nobres e traziam as músicas e danças que estavam na moda na Europa, entre as quais a quadrilha. Estudos mostram que as quadrilhas tiveram origem nas danças rurais da Inglaterra, por volta dos séculos XIII e XIV, mas a transferência cultural para França se deu na Guerra dos Cem Anos. Os franceses a levaram para os palácios e a tornaram um hábito da nobreza.
A quadrilha se apresentava também nas festas de casamento dos filhos dos ricos, por isso que o noivo e a noiva são personagens típicos dessa dança junina. Quando o costume se popularizou, o povo não sabia falar francês e começou a criar outras expressões para a marcação da quadrilha. Os populares também não tinham dinheiro para comprar os ricos vestidos que chegavam da França para a nobreza. Então, no lugar do veludo, aproveitavam o algodão e os florais de chitão, que eram acessíveis e baratos. Essa tradição se estabeleceu na zona rural, sobretudo nas cidades do interior do Nordeste.
A quadrilha acelerou o ritmo, aproveitou outras músicas e inseriu um ritmo de influência inglesa, vindo também com as missões, que foi aportuguesado para ‘xote’. A dança incorporou o baião, as músicas cantadas e a marcação passou a ser feita com gestos. A indumentária é colorida e confeccionada com matéria-prima tipicamente nordestina, couro, rendas, brim, viés, fitas, espuma e napa. O conjunto não é mais formado por uma orquestra, mas sim pelo trio com zabumba, triângulo e a sanfona, incorporados a cantores e até mesmo a outros instrumentos. A partir daí a dança foi se adaptando à realidade cultural nordestina.
Milho
As festas juninas passaram a ser comemoradas com muita música, danças, roupas de época e comidas típicas de lugares diferentes do mundo onde se comemora o São João. Em cada região, o povo passou a usar alimentos próprios dos grandes festejos, como carneiro, leitão, bacalhau, vinho e, no caso do Brasil, o milho – produto farto nas colheitas do mês de junho e inicialmente plantado pelos índios, no período da colonização.
Um dos pontos altos do São João brasileiro é justamente a comida, que o torna único e especial. O milho ‘quebrado’ nas vésperas da festa era plantado no dia de São José, 19 de março, quando, segundo a fé popular, sempre chove. O milho – que costuma ser cozido ou assado na fogueira – foi adicionado ao coco, à mandioca e nasceram as comidas típicas dos festejos juninos do Nordeste, como pamonha, canjica, mungunzá, bolo de milho e de macaxeira, pé-de-moleque, cuscuz, cocada, tapioca, bom-bocado e arroz doce. Todos esses pratos são trabalhosos e demorados de fazer, mas deliciosos.
Fogos
Segundo a tradição católica, os fogos de artifício eram usados para despertar São João Batista – primo de Jesus -, que dorme durante três dias de festa. Esse aspecto religioso acabou sendo incorporado ao ciclo junino e em Sergipe deu origem a tradições como o barco de fogo, a guerra de busca-pé e ao ritual do pisa-pólvora – uma dança folclórica realizada em torno de um pilão onde se misturam substâncias usadas no preparo da pólvora. Esses efeitos de luzes e cor ajudam a alegrar as noites de São João.
Embora a prática de soltar fogos e acender fogueira tenha sido cada vez mais restrita nas grandes capitais, principalmente devido a questões ambientais e relacionadas à segurança, ainda é comum do Nordeste crianças, adolescentes e até adultos se reunirem nas portas das casas, praças e ruas para soltar traques de massa, cobrinhas, rojões, espadas, chuvinhas, buscapés, pitus, vulcões, foguetes e o popular ‘peido de veia’.
Nunca é demais lembrar que é preciso muito cuidado na hora de soltar fogos. As principais orientações dos especialistas são: sempre seguir as instruções das embalagens e a faixa etária de manuseio; soltar somente em locais abertos; nunca liberar os fogos na direção de outras pessoas; nunca manusear fogos após a ingestão de bebidas alcoólicas; crianças não devem soltar fogos, mas sempre que o fizerem devem estar acompanhadas por um adulto e usar ‘bombinhas’ permitidas para a sua idade. Em caso de queimaduras e acidentes, procure atendimento médico e molhe a parte do corpo que entrou em contato com o fogo.
Balões
Os balões surgiram como portadores de pedidos a São João e levavam aos céus as mensagens dos fiéis. De acordo com a crença dos devotos, caso queimassem antes de chegar ao alto o pedido não era realizado. Como tempo passaram a servir como um sinal de aviso que a festa iria começar e eram soltos em grupos de cinco a sete unidades. O uso de balões acabou sendo incluído ao hábito de acender fogueiras e soltar fogos de artifício, formando o conjunto luminoso que enche de encanto as noites do período junino.
Contudo, essa é uma prática cada vez mais rara nas cidades e proibida por lei, em função dos riscos concretos de incêndios. A ameaça maior da ação dos baloeiros está nas instalações industriais, como as refinarias de petróleo; na colisão com aviões em zonas de controle de tráfego aéreo; e na destruição de florestas e matas virgens.
Mastro
O levantamento do matro tem sua origem, no entanto, no costume pagão – ainda vivo em algumas partes da europa – de levantar o ‘mastro de maio’ ou a ‘árvore de maio’.
O corte do mastro e a sua colocação no centro do local dos festejos remete ao mito medieval da ‘Cocanha’ e às práticas que, há muitos séculos, rendiam louvores a um lugar imaginário, onde a juventude era eterna e fartura brotava da terra, sem que fosse preciso trabalhar. O mito da Cocanha sobrevive no repertório popular brasileiro durante os ciclos juninos, através de manifestações usuais, como o Pau de Sebo e Sarandagem (cortejo de homens e mulheres ao som de batuques e trios pé-de-serra).
Quando a fogueira começa a queimar, o mastro, que recebeu a bandeira do santo homenageado, já se encontra preparado e é levantado enquanto se fazem preces, pedidos e simpatias. Depois tem início a queima de fogos. Geralmente ele é fixado em frente às casas ou no local da festa, perto da fogueira, e recebe enfeites como presentes e garrafas. Em Aracaju, esse costume é mantido na Rua de São João há quase 100 anos.
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_junina
http://www.arteducacao.pro.br/Cultura/junina.htm
http://www.infonet.com.br/luisantoniobarreto/ler.asp?id=48131&titulo=Luis_Antonio_Barreto
http://www.nominuto.com/vida/cultura/adeus-a-tradicao/18027/
http://www.sociedadesemear.org.br/artigos_leitura.asp?cd_Artigo=112
http://www.infonet.com.br/saojoao/2006/ler.asp?id=47490&titulo=Entrevistas-saojoao
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