A necessidade de superar a perda das irmãs estimulou a manicure Marivalda Santos da Silva a frequentar o Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Enedina Bonfim, localizado no Bairro América, zona Oeste de Aracaju. Ela mora na região há mais de 50 anos e gosta de estar no Cras. Para ela, é como se estivesse em família. “Eles me dão assistência e me orientam também. Aqui, eu recebo conselhos. É realmente minha segunda casa”, contou.
 
Não é somente dona Marinalva quem participa das atividades no Enedina Bonfim. Os sobrinhos dela também são usuários do equipamento. “São dois meninos, um com 14 anos e o outro com 17 e, uma menina de 10 anos. Os três são filhos da minha irmã que morreu há três anos, mas eu frequento aqui há mais tempo, desde que a minha outra irmã faleceu, há mais ou menos oito anos. A gente gosta muito daqui, das pessoas daqui. Elas são boas com a comunidade”, completou. 
 
A dona de casa Aline Silva Santos também é assistida pelo Cras. Na companhia dos filhos, ela participa de ações que têm transformado a vida da família dela. “Nossa vida mudou totalmente. Graças a Deus, meus filhos interagem mais com as pessoas e estão mais tranquilos. Eu também mudei bastante. Eu ficava irritada com facilidade. Agora, respiro muito antes de tomar qualquer atitude. A relação com minhas crianças também melhorou. Não tem nem comparação”, explicou. 
A sensação de mudança é constatada em outros Centros de Referência. Ao todo, 16 equipamentos oferecem o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). De acordo com a diretora da Proteção Social, Inácia Brito, esse é considerado um dos principais serviços ofertados pela Secretaria Municipal da Assistência Social. “O objetivo é trabalhar com as famílias o fortalecimento do vínculo familiar e comunitário. A gente busca prevenir riscos e vulnerabilidades. Através desse serviço, as famílias participam de ações e projetos que contribuem, de forma significativa, para o desenvolvimento delas”, colocou.
 
O SCFV é ofertado para crianças, adolescentes, adultos e idosos e trabalha com ciclos, através dos eixos do direito, participação social e cidadania. Nos Centros de Referência da Assistência Social são promovidas oficinas, rodas de conversa, cursos de capacitação e atividades socioeducativas. “No momento em que esse serviço é ofertado, a gente oportuniza o acesso à cultura, lazer e esporte. Ou seja, a pessoa está tendo acesso a um novo mundo e está direcionando a vida dela para a cidadania. Nos equipamentos são trabalhados temas com o usuário e também com a família dele”, ressaltou a diretora. 
Parcerias
 
Algumas ações são realizadas em parceria com outras secretarias. Todos os meses são desenvolvidas atividades por meio do Caravana da Cidadania, projeto que integra o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. “No ano passado, por exemplo, promovemos uma tarde de lazer no Parque Augusto Franco. Reunimos famílias dos Cras Risoleta Neves e Santa Maria e você não imagina o quanto foi enriquecedor esse dia. Algumas mães não conheciam o local e ficaram encantadas. Foi um dia também para trocar ideia e conhecer pessoas que usufruem do serviço”, destacou. 
 
Cras Risoleta Neves
 
O Risoleta Neves, localizado no bairro Cidade Nova, foi o primeiro Cras a receber a ampliação do serviço, que passou a atender grupos de crianças de 0 a 3 anos – antes, era ofertado para crianças a partir dos seis anos de idade. “A expectativa é que, até o fim do ano que vem, mais cinco equipamentos comecem a trabalhar com esse público. Essa meta faz parte do Planejamento Estratégico, implantado pela atual gestão. É importante deixar claro que não é um serviço de creche, é um serviço de fortalecimento de vínculos com os pais ou responsáveis pela criança, por meio do afeto”, pontuou a diretora da Proteção Social da Secretaria Municipal da Assistência Social, Inácia Brito. 
 
Para a dona de casa Rosângela Alves Santos, a ampliação do serviço trouxe tranquilidade para famílias do bairro Cidade Nova. “Eu fico sossegada quando meus filhos estão aqui. Os educadores ajudam muito, dizem o que é bom e o que é ruim para a vida deles. É como se fosse uma escola para as crianças. A minha filha aprende a fazer artesanato e me ensina em casa. É gratificante saber que alguém se preocupa com a gente. Ter esse espaço é felicidade para nós”, disse.
 
A dona de casa Renata dos Santos mora próximo ao Centro e ficou feliz quando soube que ia poder levar a filha para participar de ações inclusivas.  “Eu tenho três filhos e um deles, Nikolas Moura, estava pegando dinheiro escondido em casa. Depois que a gente passou a frequentar o Cras ele parou. Foi bom também para a minha filha mais velha, Clara Isabelle Santos, porque ela era bruta demais. Hoje, está bem melhor e eu fico feliz com isso”, afirmou.