A Unidade Básica de Saúde (UBS) Hugo Gurgel, do bairro Coroa do Meio, promoveu uma roda de conversa com o Grupo de Homens da Associação de Pescadores da localidade sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. A atividade aconteceu nesta sexta-feira, 30, através de parceria entre representantes das secretarias municipais da Saúde (SMS), Educação (Semed), Assistência Social e Guarda Municipal de Aracaju. 

O projeto já é desenvolvido pela UBS há quase três anos, sempre às últimas sextas-feiras do mês, e aborda temas relevantes para a comunidade. O enfermeiro da UBS Hugo Gurgel, explicou a escolha do tema deste mês, que foi a violência contra a mulher. "Como esse mês está se falando muito do Agosto Lilás, que é sobre o feminicídio e a violência contra a mulher, além dos 12 anos da Lei Maria da Penha, achamos pertinente trazer este tema para ser discutido com os homens. E foi muito interessante, a participação deles foi muito boa", frisou. 

Importância 

A técnica responsável pelo Núcleo de Prevenções de Violências e Acidentes (Nupeva) da SMS, Lidiane Gonçalves, também destacou a importância da participação do homem em espaços de diálogo de enfrentamento da violência contra a mulher. 

"Nós acreditamos que a educação é umas das principais formas de mudar padrões sexistas e essa roda de diálogo, que é uma troca com os homens, proporciona algumas reflexões e consequentemente as possíveis mudanças. Com este encontro finalizamos as atividades durante esse mês, onde tivemos uma vasta programação com os profissionais de saúde nas unidades básicas e nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), mas a ação continua ao longo do ano", ressaltou.

Ainda segundo Lidiane, os tipos de violência contra a mulher são diversos e o homem possui papel fundamental no combate, já que fazem parte deste problema. "A partir do que é colocado na conversa, trabalharmos em cima, pois na Saúde, identificamos vários casos de violência, não só a física, mas psicológica, patrimonial e agressão verbal. Muitos dizem que nunca encostaram em uma mulher, mas precisam saber que existem vários outros tipos de violência que acabam reproduzindo e, às vezes, não se acham violentos porque nunca agrediram fisicamente. É essencial que os homens discutam sobre o tema, porque como o homem faz parte do problema, ele também precisa fazer parte da solução", enfatizou. 

Diálogo coletivo 

O presidente da Associação de Pescadores, José Reis dos Santos (Irmão Reis), participou da roda de conversa e avaliou de forma positiva a atividade. "É importante conversar sobre a violência contra a mulher, porque a mulher não é um objeto descartável, ela é um ser igual ao homem, sente as mesmas dores, chora do mesmo jeito e que em casa cada marido tome conta da sua esposa como eu faço com a minha", frisou.

O evento também contou com a participação da diretora de Direitos Humanos da Secretaria de Assistência Social, Lídia Anjos, que já atua neste enfrentamento e destaca o diálogo como uma das ferramentas mais eficazes para a redução dos índices de violência contra a mulher.

"A questão relacionada a violência contra a mulher precisa ser dialogada na perspectiva de, coletivamente, encontrarmos alternativas e esse diálogo tem que ser com os homens também. Nós vivemos em uma sociedade que é machista, misógina e inferioriza a mulher. Os dados apontam o perfil do agressor relacionado à violência doméstica que, em sua maioria, são os homens", disse. 

Lídia também ressaltou outras ações realizadas na Assistência Social, a exemplo do ‘Eles com Elas’. "Este é o nome de um projeto que a Assistência está iniciando com a proposta de que seja incorporado para que o diálogo com os homens seja multiplicado nas nossas ações pela importância de enfrentar a violência doméstica. Este é o segundo, já tivemos um encontro no bairro Santa Maria", completou.