Os benefícios relacionados à leitura, em especial se estimulada desde a infância, são amplamente conhecidos, e dizem respeito ao aprimoramento de diversas capacidades no âmbito cognitivo, motor, emocional e social. Desta maneira, ganha relevância o estabelecimento de locais específicos, com estrutura de ferramentas e pessoas, dentro das escolas, que promovam e facilitem a prática. É por isso que a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Educação (Semed) tem disponibilizado e equipado salas de leitura nas unidades da rede municipal.
O objetivo é propiciar às crianças matriculadas, em especial nos primeiros anos da alfabetização, as condições para que se encantem pelo aprendizado da leitura e levem as vantagens de tal conquista para as suas vidas, na medida em que vão se desenvolvendo tanto do ponto de vista físico-biológico quanto intelectual.
Os livros que fazem parte do acervo disponibilizado aos alunos são selecionados e organizados de acordo com a série, com os mais ilustrativos direcionados aos que estão começando o aprendizado e os mais densos direcionados aos já mais avançados. Eles chegam às escolas por três caminhos distintos: através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do Governo Federal, que anualmente convida as escolas a pensarem quais obras, dentre aquelas que estão no catálogo, ou seja, que passaram pelo crivo analítico em relação à linguagem, ilustrações, relação ano/série, se encaixam no projeto pedagógico das suas unidades; via doações de terceiros, cujos exemplares também passam por uma triagem e análise, para que o material seja destinado ao público mais correto; e ainda a partir da compra com recursos próprios do município, com ênfase na literatura sergipana, obras de autores locais a respeito da nossa identidade, história e cultura.
“Nosso objetivo é fazer com que a leitura faça parte da prática cotidiana dos alunos. Todas as escolas da rede municipal de ensino em Aracaju, tanto dos anos iniciais quanto finais contam com salas de leitura e atividades cotidianas, perpassando todos os componentes curriculares. É um trabalho que complementa a revolução digital que estamos vivendo com o programa Escola Tech. As ferramentas digitais não substituem em plenitude os materiais impressos, que ainda são fundamentais para potencializar a memorização e a atenção dos alunos, por exemplo. A rede municipal está atuando em todas as frentes, não só com o manuseio impresso, mas também digital”, aponta o Técnico da Coordenadoria de Ensino Fundamental da Semed, Marcos André.
O processo de escolha do material de leitura não é aleatório, mas acompanhado pelos professores, que analisam os roteiros que as crianças levam para casa junto aos livros, com perguntas relacionadas à história, de maneira a perceber se o conteúdo foi entendido ou não, o que tem auxiliado os profissionais a identificar dificuldades e, assim, garantir atenção especial.
“O estímulo à leitura desde a infância é fundamental para o processo de desenvolvimento intelectual, tanto no sentido da escrita quanto da interpretação de texto e do mundo. Eu entendo a leitura como algo primordial para que uma criança possa elevar seu processo de desenvolvimento linguístico. Ver hoje que a gente tem hoje um trabalho voltado para isso, em específico e abrangendo todas as escolas, deixa qualquer profissional da área da Educação extremamente feliz”, celebra a professora de português há 20 anos e atual coordenadora pedagógica da Emef Ministro Geraldo Barreto Sobral, no bairro Dom Luciano, Maria Renilde Matos.
As salas de leitura são também alternativas para que se saia um pouco da rotina de ensino tradicional, possibilitando acesso a um outro contexto e ambiente, trazendo elementos de brincadeira para fomentar o uso da imaginação.
“A sala de leitura foi um espaço criado pensando no acolhimento dos alunos, um local diferenciado, fora da sala de aula, para aumentar a perspectiva das atividades. Os professores ajustam seu planejamento semanal para desenvolver essas atividades na sala de leitura, que podem ser lúdicas, através da leitura e interpretação dos textos como também da criação, utilizando os livros de contos e histórias. É interessante, porque permite que eles possam viajar nessas fantasias e aprender brincando, de uma forma mais suave”, explica a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Anísio Teixeira, Sandra Leite.
O acesso aos diversos livros físicos complementa ainda o trabalho desenvolvido por meio das ferramentas digitais, cada vez mais presentes nas salas de aula, permitindo um contato híbrido com as obras literárias e didáticas, em um processo que pode começar na sala de leitura e ser continuado na lousa digital, ou o oposto, auxiliando os profissionais da educação.
“A leitura e a escrita são as bases fundamentais para uma educação bem alicerçada e ter esse espaço como recurso para a aprendizagem dos nossos alunos é muito dinâmico, porque motiva eles, permite que saiam um pouco do ambiente da sala de aula para aprender de maneira lúdica. Também abre um leque de possibilidades para os professores, sobretudo com a disponibilidade das lousas digitais nas salas de aula, pois temos a oportunidade de trabalhar tanto com a forma física quanto digital dos livros, uma coisa complementa a outra”, ressalta o professor do 3º ano na Emef Anísio Teixeira, Tiago Ferreira.
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