Depois de um fim de semana repleto de grandes nomes do forró e de um dia de descanso para aracajuanos e turistas retomarem suas energias, o Forró Caju retornou nesta terça-feira, 19, misturando o tradicional forró nordestino com o ritmo típico da região Norte do país, o calypso.
Em todos os palcos a festa se desenrolava com a mesma alegria e emoção do dia de abertura do evento. No Arraial, crianças, adultos e idosos dividiam o espaço de dança. No palco Gerson Filho, os artistas sergipanos deram um show de irreverência e no palco principal, grandes atrações do Estado e do país agitaram o público, que apesar do começo da semana, fez questão de marcar presença na quarta noite do maior São João do Brasil.
Arraial
Iniciado às 17h, a festa no Arraial já começou atraindo os transeuntes do comércio, que fizeram uma pequena pausa nas compras para observar e até arriscar alguns passos no espaço montado próximo a Passarela das Flores. Lá se podia ouvir a melodia, já conhecida do forró pé de serra, que sob o comando do Trio Xodó da Vila envolveu e animou o público que chegava.
Em seguida, foi a vez de Nilson do Forró subir ao palco e continuar a festa. Já passava das 20h e nem público nem artista queria parar com a folia. No espaço, crianças, adultos e idosos se divertiam, fossem sozinhas ou em pares, muitas vestidas à carater junino e trazendo toda a família como a dona de casa Aracy Meneses, que trouxe sua mãe e seus filhos de 5 e 6 anos.
“Eu venho há alguns anos para o Forró Caju e sempre trago meus filhos para o Arraial. Aqui é mais seguro, a gente não perde eles de vistas e eles se divertem muito, seja brincando, seja assistindo as quadrilhas, que eles gostam muito”, diz a dona de casa.
Foi justamente a apresentação da quadrilha, na ocasião, a Xodó da Vila, fundada em 1992 no bairro Inácio Barbosa, que fechou a noite do Arraial, mostrando brilho não apenas em seus figurinos como também no público que a observava. “Eu acho a parte mais bonita do São João, quando eu era mais moça dançava quadrilha no meu bairro, mas agora as pernas não ajudam muito então eu me contento e me alegro bastante assistindo. Não tem coisa mais bonita”, afirma a aposentada de 74 anos, Maria Auxiliadora.
Palco Gerson Filho
Na noite desta terça-feira, o palco Gerson Filho recebeu a irreverência da banda Cabeça de Frade, que foi seguida pela simpatia e pelo ritmo das moças e senhoras do Samba de Coco da Mussuca. Às 21h, a vez era da banda Magal e Forró de Gente Livre, que levou ao palco instrumentos como bateria e violão para completar a festa. Logo depois, o Forró Skama de Peixe e o Forró Maria Gazzulina agitaram o público até a madrugada. A festa foi encerrada com a Banda Raio da Silibrina.
Palco Luiz Gonzaga
No palco principal, a noite foi aberta pelo sergipano Erivaldo de Carira. Munido de um repertório quase que exclusivo de músicas de Luiz Gonzaga, homenageado da festa, Erivaldo de Carira também contou ao seu lado com a participação de suas filhas, Estér Lavínia, de 7 anos e Thaís Nogueira, de 21.
“Eu faço parte do Forró Caju desde quando a festa existe e para mim é sempre uma emoção tocar nessa festa, que cresce a cada ano. Hoje meu show será uma homenagem ao Rei do Baião Luiz Gonzaga e ainda eu terei junto comigo, no palco, minhas duas filhas, Estér e Thaís, então vai ser muito emocionante para mim e, espero, para o público também”, revelou o sanfoneiro.
Quem também abriu espaço para que os sergipanos ouvissem seu filho cantar, foi o músico e compositor pernambucano Petrúcio Amorim. Segunda atração do palco principal, Petrúcio, seguido de seu filho, encantou os presentes com composições que fizeram sucesso interpretadas por bandas a exemplo de Limão com Mel, Trio Nordestino e Falamansa e por artistas como Flávio José, Jorge de Altinho e Adelmário Coelho.
Já passava da meia-noite quando a atração paraense Cia do Calypso subiu ao palco. Com o fã clube na plateia, não tinha quem não se contagiasse pelo estilo nomeado de ‘brega pop’. Misturando batidas do carimbó, da guitarrada e da marujada, a banda, que este ano completa 10 anos de carreira, agitou a noite com seu ritmo e suas coreografias ousadas.
A noite foi encerrada com o romantismo da banda Forró Maior, que traz na bagagem a experiência de mais de 30 anos de carreira e que, mesmo depois das 2h da manhã, encontrou ainda muita gente que não queria que a noite acabasse a exemplo dos turistas de São Paulo, Márcia Carvalho e Welton Germano. “Vim para o Forró Caju em 2010 e fiquei maravilhada. Esse ano eu vim e trouxe meu namorado e pelo que vejo a festa está mais linda do que nunca. Agora eu quero ficar até o final”, comenta a paulista Márcia Carvalho.
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