No último dia 19, a Secretaria Municipal da Defesa Social e Cidadania (Semdec) da Prefeitura de Aracaju, por meio da Defesa Civil de Aracaju, juntamente como outros órgãos e empresas, realizou um simulado parcial do Plano de Evacuação da Comunidade (PEC), na Zona de Expansão. Entre os pontos de destaque, a participação massiva da população e a eficácia no tempo resposta embasam o relatório geral que está sendo produzido pelas equipes integrantes da ação.

Há cerca de nove anos, a ação não era desenvolvida na amplitude deste mais recente simulado. Antes, o PEC era de responsabilidade do Ministério Público do Estado (MPE/SE). No entanto, desde o início da atual gestão da Prefeitura, o plano passou a ser coordenado pela Defesa Civil de Aracaju, que entendeu a urgência de intensificar as ações e, sobretudo, fortalecer as orientações à população residente na localidade.

A preocupação se dá devido à presença da Nacional Gás e da Petrobras na região, ou seja, local avaliado como uma área de risco potencial pela existência de grande acúmulo de material inflamável que, em situação de emergência, levaria a um grande impacto. Assim, todo o preparo e atenção da população local são de extrema importância.

Em termos gerais, de forma preliminar, a avaliação do simulado foi positiva e superou as expectativas dos envolvidos, quando uma média de 460 pessoas participou, conforme aponta o secretário da Defesa Social e Cidadania, Luis Fernando Almeida. “Tínhamos, basicamente, quatro objetivos com o simulado e, em todos eles, ultrapassamos as expectativas. Havia o planejamento para cadastrar 100 residências para a evacuação e cadastramos 220. A ideia inicial era que, pelo menos, 80 famílias fossem cadastradas e 115 responderam ao questionário. Verificamos que 97% das famílias que participaram da entrevista ouviram o alarme, sendo que eram esperadas 80% delas. Conseguimos formar o Posto de Comando em cerca de 20 minutos, quando o planejamento era em 30 minutos. Ou seja, todos os resultados preliminares foram superados, o que nos dá a ideia de que foi uma atividade extremamente positiva”, destacou.

Segundo o secretário, por envolver diversos órgãos, a ação tinha um perfil complexo, o que só reverberou no resultado obtido. “Havia uma complexidade porque todos os envolvidos tinham que estar muito bem alinhados. Todo detalhe fez a diferença. Cada órgão teve a atuação analisada rigorosamente porque é esse rigor que vai garantir que, em uma situação real, tenhamos o menor prejuízo possível, seja pessoal ou material. Tudo vai ser analisado para sabermos o que precisa ser melhorado e, no que for necessário, para corrigir ações”, ressaltou.

Tecnologia a serviço

Para o simulado, as equipes contaram com um aparato significante: a tecnologia. Dois drones, um pertencente à Defesa Civil de Aracaju e o outro à Companhia de Policiamento Militar da Capital (CPMC), auxiliaram efetivamente na ação. Com eles, foi possível ter acesso a imagens em tempo real que foram acompanhadas pelos representantes dos órgãos e das empresas envolvidas de dentro do Posto de Comando montado.

“A tecnologia tem ajudado muito nas ações da Prefeitura, em diversas ações, não só no mapeamento das áreas de risco, como nas manchas também, e agora, com esse exercício. Sem esses drones no simulado, por exemplo, a contagem de pessoas seria mais lenta, o acompanhamento de percurso de deslocamento teria eficácia, mas, não tanta quanto com a presença desse aparato . A imagem dos drones nos fornecem mais detalhes e, por ter uma tecnologia avançada, permite maior precisão”, destacou Luis Fernando.

Nudec PEC

Para a atividade, foi formado um Núcleo da Defesa Civil da Comunidade (Nudec) para o PEC, reforço fundamental na mobilização dos moradores da localidade.

“Foi um trabalho que durou cerca de três meses, com reuniões junto à população, ações que ocorreram de casa em casa, em associações, condomínios, tudo para garantir a maior mobilização possível. Nesse processo, vimos a necessidade de criar um Nudec especial e, graças a ele, tivemos uma adesão significante. O simulado já aconteceu, mas, o Nudec PEC vai continuar porque o risco de um sinistro ocorrer é baixo, mas, existe, portanto, ter um núcleo formado e preparado é essencial”, salientou o secretário.

Uma das moradoras que participou ativamente da atividade foi a presidente da Associação de Moradores do Beira Mar I e integrante do Nudec PEC, Mônica Accioly, que considerou fundamental a iniciativa. “Foi importante para interação da comunidade em si e também para saber como agir em caso de incidente. Fomos em escolas, fizemos um levantamento de pessoas com dificuldade de locomoção, então, foi muito válido. Foi um exercício que nos ajudou a ter uma visão geral e mais detalhada do que devemos fazer, sobretudo, no sentido de ajudar o outro. Ter conhecimento em situações de risco pode salvar muita gente. É um aprendizado para a vida. Isso é uma mudança de cultura e leva tempo, mas, vale a pena. Se soubermos o que fazer, podemos conduzir de maneira mais tranquila numa real necessidade”, frisou.

Outro morador efetivo é Milton Barboza, além de ser representante da associação de moradores, integrante do Nudec PEC, ele também atuou como observador durante o simulado. “Como morador, foi muito proveitoso ver como a comunidade estava reagindo, o grau de interesse das pessoas. Foi um esforço grandioso por parte das equipes e foi um trabalho muito bem feito, houve um empenho, sobretudo nos que diz respeito à comunicação junto aos moradores. Gostaríamos que a população participasse ainda mais para que, de tanto treinar, estejamos já condicionados a atuar em grupo, ajudando um ao outro”, pontuou.

Participaram do simulado, além da Defesa Civil de Aracaju, a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT); a Companhia de Polícia de Trânsito (CPTran) e o Comando de Operações Especiais (COE), representantes da Polícia Militar de Sergipe; o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); Corpo de Bombeiros; Defesa Civil Estadual; Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil (DEPEC); núcleos e associações comunitárias, como o NUDEC PEC, Nudec Zona de Expansão e Combaze; além dos representantes das empresas Petrobras e Nacional Gás.

O relatório conclusivo será apresentado no final do mês de novembro.