Em 1971 surgiu em Pernambuco um grupo musical que traçava um novo caminho para a MPB. Diante da indecisão no cenário da música nacional, após a irrupção do Movimento Tropicalista, o Quinteto Violado apresentava uma proposta fundamentada nos elementos musicais da cultura regional, através de trabalhos de pesquisa e da própria vivência de cada um dos seus integrantes, originários da região Nordeste do Brasil.

O trabalho de pesquisa artístico-cultural do grupo rendeu frutos e encontrou um escoamento na Fundação Quinteto Violado, criada há 12 anos. A pesquisa desenvolvida se estende, inclusive, para Sergipe, e esse foi um dos pontos da prosa entre o vocalista Marcelo Melo e a Agência Aracaju de Notícias. Confira!

Agência Aracaju de Notícias – O trabalho de vocês é baseado em muita pesquisa. Qual a metodologia que vocês utilizam e o processo de aprendizado?
Marcelo Melo –
Nosso trabalho de pesquisa se tornou tão intenso que há 12 anos criamos uma fundação sem fins lucrativos, que se propõe a desenvolver projetos culturais de valorização do homem pela arte. Então nos vários recantos do país descobrimos ícones da cultura local, grupos de autos populares e procuramos capacitá-los, fazendo com que consigam benefícios a partir do trabalho que desenvolvem. A fundação, portanto, nos ajudou muito a sistematizar e focar mais todo esse trabalho de pesquisa que vínhamos desenvolvendo ao longo dos anos, quase que intuitivamente.

AAN – A cultura sergipana também vem sendo objeto de estudo de vocês. Qual o próximo projeto para o Estado?
MM –
Vou dar essa notícia em primeira mão pra vocês. Há poucos instantes conversei com o prefeito Edvaldo Nogueira e ele nos convidou para trazer para Aracaju, pelo mês de setembro, o projeto ‘A canção que virou concerto’, onde o Quinteto Violado, juntamente com a Orquestra Sinfônica do Estado, vai criar arranjos para as canções do músico Geraldo Vandré. Em seguida faremos apresentações na capital. Esse projeto é fruto do CD "Quinteto canta Vandré", que lançamos recentemente.

AAN – E quanto ao Forró Caju. Vocês estão mais um ano presentes no evento, o que teriam a dizer da festa?
MM
– Ah… aqui a receptividade é sempre muito boa. O público aracajuano tem um grande carinho pelo nosso trabalho e comparece aos nossos shows, se emociona e nos emociona. Há muito respeito das duas partes. Além disso, nos sentimos muito orgulhosos de ter feito e de fazer parte do crescimento desta grande festa.