A Secretaria Municipal da Educação de Aracaju (Semed) está recebendo visita técnica de professores de universidades da Bahia e de Alagoas para conhecer de perto o funcionamento do projeto Erguer, desenvolvido em escolas da capital sergipana a partir da parceria entre a Prefeitura de Aracaju e a Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Nesta terça-feira, 6, para observação in loco, professores da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), acompanhados de representantes da Coordenadoria de Educação Física e Esportes (Coefesp/Semed) e do Departamento de Educação Física da UFS, estiveram em duas das seis unidades de ensino da rede municipal onde as ações do projeto são desenvolvidas.

As visitas ocorreram nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) Anísio Teixeira, no bairro Atalaia; e José Conrado de Araújo, localizada temporariamente no bairro São José. Nelas, foram analisadas como ocorrem as intervenções do Erguer. Logo após as visitações, o grupo participou de reunião com o secretário da Educação de Aracaju, Ricardo Abreu.

Na prática, o projeto Erguer atua em duas divisões: um grupo de escolas trabalha com pausas ativas – quando em determinado momento, em sala de aula, o professor interrompe as atividades para que os alunos realizem movimentos ginásticos; e com lições fisicamente ativas, quando o docente aborda o ensino de conteúdos em qualquer disciplina adicionando movimentos corporais a ele.

As unidades de ensino inseridas no projeto são as Emefs Arthur Bispo do Rosário, José Conrado de Araújo, Anísio Teixeira e Núbia Marques, focadas em intervenções; e as Juscelino Kubitschek e Bebé Tiúba, que focam no controle.

Técnico da Coefesp, Igor Souza acompanhou as visitas. Ele explica que o objetivo do projeto é analisar quais metodologias impactam diretamente na melhoria da aprendizagem dos estudantes, em qualquer disciplina ou área da educação.

“É um trabalho de pesquisa que ocorre desde o ano de 2018, direcionado a crianças do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Acompanhamos turmas que hoje estão no 3º, e isto já apontou respostas positivas, fazendo com que os dados já fossem colocados em pauta pela Secretaria da Educação e elencadas estratégias para melhoria da rede como um todo. A ideia é torná-lo um projeto de política pública, sendo expandido para todas as unidades escolares da rede, além de outras cidades e estados. O que faz de Aracaju pioneira e referência”, destaca Igor.

Da UEFS, o professor Gilmar Mercês afirma que conhecer o funcionamento do projeto em Aracaju faz parte de uma cooperação técnica. Ele diz que pretende, sim, levar o projeto para a sua cidade.

“Estamos conhecendo como funcionam as atividades, lições e pausas ativas. Ontem tivemos reuniões institucionais para verificarmos os instrumentos e métodos, e é muito importante fazer esta leitura da realidade para levarmos a Feira de Santana [BA] os mesmos procedimentos. Achei alunos e professores bem engajados. É um desafio para o docente que não foi formado para fazer isso e, para as crianças, é novidade, já que é um desafio para elas permanecerem sentadas e imóveis toda uma manhã ou tarde. E quando você incorpora a lição do dia ao movimento, a aprendizagem torna-se ainda mais significativa”, expressa Gilmar.

Resultados positivos

Além do professor Gilmar Mercês, também vieram a Aracaju conhecer o projeto da rede municipal os professores David Ohara, da UESC, e Leonardo Gomes de Oliveira Luz, da Ufal. Coordenador do projeto na UFS, o professor de Educação Física Danilo Rodrigues diz que projetos similares já têm sido realizados em outros países, em contextos socioeconômicos muito diferentes.

“A gente está muito feliz porque é um marco de expansão deste projeto que começou em Aracaju, em apenas uma escola, que foi a Emef Oviêdo Teixeira, no bairro Olaria. Tendo gerado muitos bons frutos, em 2022 expandimos para mais cinco unidades escolares do município e houve o interesse de outras cidades do Brasil usar o nosso modelo de intervenção e proposta pedagógica. A parceria entre a Semed e a UFS tem dado muito certo e o resultado é essa expansão para outros locais”, explana.

Este resultado é evidenciado também pela diretora da Emef José Conrado de Araújo, Carla Gonçalves. Segundo ela, que é formada em Educação Física, o projeto Erguer estimula a movimentação em crianças e jovens que estão vivendo uma sociedade que se movimenta muito pouco, o que acarreta vários problemas físicos, funcionais e cognitivos.

“A gente percebe que o desempenho cognitivo dos alunos que participam do projeto é muito maior do que o dos que não têm uma vida fisicamente tão ativa. Com a minha profissão, percebo que o espaço da sala de aula é onde eles ficam mais tempo parados. Isso não é bom para os estudantes, principalmente nesta faixa etária, que necessita ainda mais de movimento. Com as ações do Erguer, eles têm um maior interesse em relação à escola e ao aprendizado. Estou muito feliz com a vinda dos meus colegas de outros estados e orgulhosa por fazer parte deste pioneirismo”, explana Carla.