No vibrante cenário artístico de Aracaju, o projeto Colora está se consolidando como um potente catalisador para as artes visuais e urbanas. Promovido pela Prefeitura de Aracaju, através da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), a iniciativa se destaca por apoiar projetos de artistas locais na área das artes visuais, tendo em seu leque produtos culturais como painéis, exposições, pintura, entre outras intervenções urbanas.
Criado durante a pandemia, ainda em março de 2020, o Colora fez parte dos primeiros projetos de fomento emergencial para a classe artística, desenvolvidos com recursos próprios do tesouro municipal. Depois, em junho do mesmo ano, o projeto foi lançado novamente pela Prefeitura de Aracaju, desta vez por meio da Lei Aldir Blanc, quando foram inscritos cerca de mil projetos, sendo 650 contemplados. A iniciativa deu tão certo que, neste ano de 2024, a gestão municipal lançou novamente, agora por meio da Lei Paulo Gustavo, com mais de 1.300 inscrições.
De acordo com o presidente da Funcaju, Luciano Correia, nesta versão, 70% dos recursos foram destinados aos projetos artísticos de audiovisual. Um total de 21 projetos foram escolhidos na área das artes visuais. “Apesar de o número ter sido menor, nós priorizamos trabalhos de melhor qualidade, mais elaborados, e com um maior aporte financeiro”, disse ele, adiantando que até dezembro será lançado mais uma vez o Projeto Coloca, novamente pela Lei Aldir Blanc, que já está em fase de conclusão dos editais.
“O Colora é uma ação continuada na cultura urbana que visa divulgar e fazer circular a produção artística nessa área em toda a cidade de Aracaju. O projeto já está presente em vários bairros de maneira bastante positiva e com muito acolhimento da população, trazendo uma estética muito representativa dos nossos valores e da nossa identidade cultural, e da expertise técnica dos nossos artistas ", declarou Luciano Correia.
O projeto também está presente em outras ações individuais com recursos do tesouro municipal, como por exemplo, em espaços públicos como a Maternidade Municipal Lourdes Nogueira, em alguns Cras, unidades de saúde, escolas municipais, entre outros locais onde foram utilizadas técnicas como pintura, grafitagem, entre outras, dentro do leque de linguagens que contempla a intervenção urbana.
Vitrine para os artistas
Ao longo do tempo, o Colora tem permitido a expressão de artistas já consolidados, a revelação de novos talentos, e tem criado efetivamente espaços de circulação da produção artística. “Aracaju tem poucas galerias e poucos espaços públicos destinados às artes plásticas e visuais. Então a gente teve uma ação efetiva para alargar esses espaços. Se a gente não consegue trazer a população para as poucas galerias existentes, então a gente levou a arte para as ruas. São vários espaços públicos privilegiados. Um deles, em particular, é o Terminal do Mercado, por onde passam milhares de pessoas, e que nós transformamos em uma espécie de museu das artes visuais a céu aberto. Então é a consolidação do Projeto Colora como um cartão postal turístico de Aracaju a partir de agora”, disse o presidente da Funcaju.
Luciano Correia explica que o valor pago aos artistas é variado, e que a seleção das obras é toda feita por meio do edital, que prevê a formação de uma comissão de pareceristas que passa por um processo rigoroso de autonomia e independência, e que depois faz a seleção dos trabalhos.
“O projeto é de grande relevância na valorização do artista, na circulação dessa produção local, na criação de uma perspectiva comercial para esses artistas, que estão ali divulgando os seus trabalhos. Ou seja, não é só pelo prazer estético de quem vai observar essas obras, mas também pelas dezenas de oportunidades de negócios que isso gera. A cidade passa a ter uma espécie de museu espalhado por todos os lugares, com o melhor da produção artística local”, declarou.
Os artistas locais aproveitam o projeto Colora como uma grande vitrine para os seus trabalhos. É o caso de Mariana Teles Feitosa, uma aracajuana de 33 anos cuja trajetória reflete a influência do urbanismo e da cultura local em seu trabalho. Ela foi selecionada através do edital da Lei Paulo Gustavo, e tem se dedicado a levar sua arte a diversos locais públicos de Aracaju, transformando o espaço urbano em uma galeria a céu aberto.
Ela é formada em Arquitetura e Urbanismo em uma faculdade particular, curso em que passou a ver a rua como um espaço repleto de possibilidades artísticas. Seus trabalhos são uma expressão da sua identidade e experiências pessoais. "Sempre trago nos meus desenhos coisas que me atravessam, enquanto mulher negra e indígena. Elementos da natureza e figuras femininas são algumas das formas que utilizo para me comunicar com pessoas que compartilham das minhas vivências”, explica Feitosa. Ela reforça ainda que vê na arte uma forma revolucionária de abordar temas importantes, especialmente aqueles relacionados à vulnerabilidade das mulheres.
O projeto Colora não é a primeira vez que Mariana se envolve com projetos apoiados por editais públicos. “O primeiro Projeto Colora em que participei foi no primeiro edital da Lei Aldir Blanc, onde trabalhei em pontos de ônibus. Agora, fui contemplada novamente, desta vez com grafite,” revelou. Para ela, ser selecionada em editais representa uma chance de abrir portas e desenvolver projetos que, de outra forma, poderiam permanecer engavetados.
A artista expressa sua gratidão pela valorização e reconhecimento recebidos. “Participar desses projetos é incrível. É uma oportunidade de apresentar melhor o nosso trabalho, construir um portfólio robusto e conhecer outros artistas. Me sinto contemplada e valorizada por perceber que a gestão municipal olha para a gente”, afirmou.
Mariana também expressa orgulho ao ver seus amigos participando do projeto. “Foi muito bom ver o brilho no olhar deles. Apesar de termos visto apenas duas mulheres no projeto, fiquei feliz em ver que amigos que lutaram muito agora têm a chance de mostrar seu trabalho,” conta. Para o futuro, Mariana sonha em viver da arte e espera que Sergipe continue a fortalecer a gestão cultural e a direcionar melhor os recursos para a cultura.
“O projeto Colora não só valoriza a arte, mas também movimenta a economia. Desde a compra de materiais até a contratação de profissionais, a cultura gera um impacto significativo”, concluiu Mariana.
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