A curiosidade tão comum às crianças, assim como o espírito altruísta que a maioria delas carrega foram fontes para a implementação do projeto Canto Limpo, uma iniciativa da Prefeitura de Aracaju, colocada em prática pelas secretarias municipais da Saúde (SMS) e da Educação (Semed), através do Programa Saúde na Escola (PSE). O objetivo é levar a conscientização sobre o mosquito Aedes aegypti a 71 escolas de Aracaju, sendo 15 estaduais e uma instituição social.
A Escola Estadual Jacintho de Figueiredo Martins foi uma das que já recebeu a ação. Localizada no conjunto Augusto Franco, na zona Sul da capital, ela atende crianças entre 5 e 17 anos, principalmente de regiões carentes, como as do bairro Santa Maria. Todas as crianças da escola já tinham ouvido falar sobre o mosquito e algumas delas até já tiveram parentes ou amigos que contraíram uma das doenças transmitidas por ele, mas, para prender a atenção, o primeiro passo foi entreter. Para isso, um desenho animado foi usado como uma espécie de isca. No vídeo, um agente de saúde e um médico explicam como combater o mosquito e como as crianças podem ajudar nesse processo, uma dinâmica muito parecida com a que os alunos da unidade de ensino estavam vivendo. Após o vídeo, as crianças foram instigadas a limpar um determinado ambiente, retirando tudo o que poderia atrair os mosquitos. Logo depois, agentes de saúde levaram amostras de larvas do Aedes aegypti para explicar como diferenciar o mosquito dos demais.
“Essa foi uma atividade de culminância, já que vínhamos realizando algumas ações na escola. Nosso intuito é mostrar a importância dos cuidados com relação ao mosquito, então, procuramos utilizar os meios mais atrativos para chamar a atenção das crianças que, sobretudo, são muito atraídas pelo que é diferente, novo. Nosso desejo é formar multiplicadores de boas ações”, ressaltou a agente de endemia Dênia Ferreira.
Para o coordenador da escola, Paulo Fernandes, trazer programas e projetos de saúde para dentro da escola é fundamental. “A escola tem o papel de ajudar na construção de cidadãos, então, projetos como o Canto Limpo vêm para agregar nesse sentido. A ideia é que eles possam proliferar isso na comunidade deles. Queremos formar pessoas mais conscientes, por isso, essa parceria entre o Estado e o Município é tão rica, porque auxilia no fomento de boas práticas”, destacou.
Professora do 1º ano do Ensino Fundamental, Flávia da Silva Matos trabalha assuntos diversos em sala de aula, entre eles, o tão temido Aedes aegypti. “É importante conscientizar desde cedo, para que eles possam passar em casa essas informações e carreguem para o futuro a necessidade de cuidar, de limpar, de não proliferar o mosquito. Nas aulas, a gente já trabalha com cartazes, demonstrações e explicações, então, o projeto de hoje vem para unir a teoria à prática, e é isso que desejamos”, reforçou.
Além da SMS e Semed, o projeto é realizado em parceria com as Unidades Básicas de Saúde (UBS), com os agentes de endemias, com o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), Centro de Controle de Zoonoses de Aracaju (CCZ) e universidades. “A gente realiza várias ações, não só sobre dengue, como outros temas. Essa ação é muito importante porque há a orientação. Crianças são importantes propagadoras de informações, elas aprendem e levam para os amigos, familiares. Já tivemos muitos retornos positivos dos pais. No início do ano, fazemos o planejamento e, em todos os meses, há ações sobre dengue, vacinação contra HPV, medidas antropométricas para avaliar o desenvolvimento, a parte nutricional das crianças, cuidados com a acuidade visual, escovação, ministramos palestras sobre sexualidade, drogas, bullying, enfim, tentamos abranger vários temas com as nossas participações”, afirmou a enfermeira da UBS que atende a região, Poliana Vieira.
Os primeiros esboços do projeto surgiram com o alerta para os casos de microcefalia em 2015. “Naquela época, o Ministério da Saúde pactuou a Semana Saúde na Escola para abordar o assunto. No ano seguinte, trabalhamos o tema, mas não tínhamos um projeto formulado, o que só veio a começar a ser desenhado em 2017, quando sentamos com os parceiros para construí-lo. Em 2018, iniciamos a atuar nas escolas com o Canto Limpo e, a partir do segundo semestre, as ações aconteceram com mais intensidade, quando conseguimos atender uma escola por semana. Neste ano, nossa meta é conseguir chegar às 71 escolas pactuadas, sempre com o intuito de fazer com que as ações de fortaleçam e consigamos, de fato, ver mais resultados positivos pela cidade”, salientou a coordenadora do Programa Saúde da Escola (PSE), Aline Vieira.
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