Se tornou cultural o fato de romantizar a maternidade, acreditar que a gestação é um momento sublime da mulher, mas, para boa parte das grávidas é um período que envolve dor, física e psicológica, transformações, desafios e, algumas vezes, até riscos. O fato é que ser mãe não é fácil, nunca foi e nem será. Por isso, compreender o universo particular em que vive cada mulher e ajudá-la a melhor conduzir a gravidez para o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê é um dos propósitos das equipes do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Maria Diná Menezes, localizado no bairro 17 de Março.
 
Através de encontros quinzenais, profissionais do serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif) trabalham diversas temáticas ligadas à maternidade. Em média, pela rotatividade da própria condição de gestante, o grupo possui entre 20 e 25 participantes. A ideia, contudo, é que, mesmo após dar à luz, a mulher e a criança continuem sendo acompanhadas pelas equipes do Cras. “O Cras é porta aberta para a comunidade, é proteção básica. Dentro do Paif trabalhamos com vários públicos, sempre com o foco no acompanhamento das famílias que vivem em um dos bairros de maior vulnerabilidade de Aracaju. Esse trabalho com as gestantes é realizado há cerca de dois anos e, através dele, tratamos do vínculo entre mãe e bebê, os direitos das gestantes e o acesso a eles, da violência obstétrica que, apesar de o Governo Federal ter vetado o termo ele existe e acontece, e tentamos fornecer as orientações para essa mulher gestante”, explicou a coordenadora do Cras, Tatiana Souza. 
Contudo, a depender da condição social da mulher, a maternidade pode ser ainda mais complicada. O bairro 17 de Março, por exemplo, é uma das regiões que possui a menor renda per capita da cidade, além de sua comunidade ainda conviver com a vulnerabilidade marcada pela violência. A junção desses e outros fatores é, muitas vezes, determinante para muitas das gestantes da localidade, por isso, o trabalho do poder público, mais especificamente da Assistência Social, se torna ainda mais impactante para o fortalecimento do vínculo materno. 
“Quando a gente desenvolve qualquer tipo de atividade para qualquer grupo, identificamos qual a necessidade dele, qual a demanda. No 17 de Março, a fragilidade dos vínculos familiares é muito grande. Esses vínculos já estão enfraquecidos ao longo da vida dessas mulheres. Muitas das vezes, pela própria condição social, elas não souberam lidar com as questões da adolescência, com as questões da infância. Como o Cras é um equipamento de proteção básica, a gente tem que tratar essas questões antes mesmo dessas crianças virem ao mundo, então, a ideia é que elas entendam como o fortalecimento desse vínculo é importante para que essas questões sociais não apareçam ao longo da vida”, ressaltou a assistente social, Janaína Félix. 
Além do vínculo materno, o grupo também tem como meta fortalecer a conexão com a comunidade. “Muita gente que está aqui  não se conhece. Sentimos a necessidade de fazer, além do vínculo com a mãe, família, o vínculo com a comunidade, porque essas pessoas poderão viver melhor compreendendo o valor da união, que elas possam entender que juntas podem fazer a diferença”, afirmou Janaína.
Foi justamente a possibilidade de compartilhar experiência que motivou Thayara Dias. Mãe de dois e aguardando a chegada de uma menina, ela contou que a troca entre as gestantes foi importante para compreender melhor a fase. “Cheguei ao grupo já sendo mãe da minha primeira filha, mas, com o trabalho em grupo, ouvindo outras mulheres, pude aprender coisas que não tinha conhecimento, além de ter mais apoio de pessoas que sentem coisas parecidas. Isso, com certeza, nos fortalece e nos ajuda no processo”, considerou.
Naiara de Oliveira também já viveu uma experiência de gestação, mas, não como a atual. Ela é mãe de um e está grávida de gêmeos. “A gestação de gêmeos é nova para mim, então, ter essa convivência com outras mães e ter o apoio do Cras me fortalece porque não é uma rotina fácil. Existe muito medo, muita insegurança às vezes e, contar com outras mulheres, ser ouvida e ter mais orientação é muito importante”, frisou.