A Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), realizou nesta quinta-feira, 30, o Encontro Multidisciplinar sobre Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, no auditório do bloco “C” na Universidade Tiradentes, (UNIT). O objetivo foi promover reflexões sobre o atendimento às vítimas e a prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes, fomentando uma discussão multidisciplinar.

“O encontro faz parte de uma das programações alusivas ao 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, mas é uma agenda que precisa ser permanente, a fim de fortalecermos a rede intersetorial de atendimento, prevenção e proteção às crianças e adolescentes, vítimas de violência e exploração sexual”, esclareceu a responsável técnica do Núcleo de Prevenção de Violências e Acidentes (Nupeva), da SMS, Lidiane Gonçalves.

O evento contou com a parceria dos profissionais da Saúde, da Assistência Social, representantes da Educação, Conselhos, Fundação Renascer, Universidade Tiradentes, Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis e da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.

Importância

Lidiane destacou ainda a importância da notificação dos casos suspeitos ou confirmados de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, como instrumento de vigilância e que dá visibilidade ao problema.

“Em 2018, foram 71 casos de notificação de violência sexual contra crianças e adolescentes, residentes em Aracaju, principalmente nos bairros de residência Santa Maria e Santos Dumont, na faixa etária de 10 a 14 anos, acontecendo mais na residência e tendo maior registro do agressor o pai e pessoas conhecidas. Ainda temos um elevado subregistro dos casos. Precisamos sensibilizar os gestores e trabalhadores quanto à atuação em rede no território, por meios de ações de prevenção, cuidado e proteção, tendo a notificação como elemento chave para integralidade do cuidado”, explicou.

De acordo com a psicóloga da maternidade Nossa Senhora de Lourdes, Camila Sousa de Almeida, que abordou sobre o Serviço de Atendimento às Crianças e Adolescentes vítimas de Violência Sexual, nem todo mundo conhece o serviço, que é referência em todo Estado de Sergipe.

“Na maternidade nós atendemos qualquer tipo de vítima de violência, idade, ou gênero, então estamos aqui para divulgar nosso atendimento médico é de 24h, porque quem passa por uma violência sexual deve procurar o serviço o mais rápido possível, pois assim se previne de algumas infecções e gravidez. Não precisa levar o boletim de ocorrência para ser atendida e o nosso serviço é de porta aberta e a paciente será acompanhada em uma média de seis meses, sendo o acompanhamento psicológico independente de tempo”, explicou.

Durante o evento, a delegada de Polícia da Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis de Crianças e Adolescentes (DAGV), Annecley França Araújo Figueiredo, alertou sobre a Rede de Proteção às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Sexual. “É muito importante encontros como este, onde podemos divulgar nossa rede de atendimento. Até abril deste ano já tivemos 51 casos de violência sexual, 165 denúncias anônimas e 436 boletins de ocorrências, sobre a violência contra criança e adolescente como um todo, sexual, física e psicológica, atendidas pela DAGV”, disse.

A enfermeira da Unidade Básica de Saúde (UBS) do conjunto Augusto Franco, Raquel dos Reis Tavares, apresentou experiência de trabalho. “Apresentamos nossas ações, em parceria com alunas da Universidade Federal de Sergipe, com o objetivo de prevenção à violência sexual, com crianças e adolescentes no território da Farolândia, desenvolvidas em escolas utilizando de uma forma lúdica para as crianças”, falou.