Com a proposta de orientar e capacitar os profissionais que atuam como Agentes de Endemias e Referências Técnicas, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), conclui, nesta sexta-feira, 10, um cronograma de formação que iniciou no dia 7, no auditório da Uninassau.

Com o tema "Conhecendo os maruins: vetores do vírus Oropouche", Semana de Educação Permanente aconteceu formato online, e foi palestrada pela pesquisadora do Instituto Osvaldo Cruz, na FioCruz/RJ, Maria Clara Santarém, com a interação entre a pesquisadora e os participantes.

“A palestra é importante para formação dos agentes de endemias que estão em contato com a população, para que eles informem corretamente sobre os maruins, sobre a expansão da virose Oropouche no país e, principalmente, sobre as melhores formas de controle do inseto, prevenindo, também, o incômodo causado pelas picadas”, destaca Maria Clara Santarém.

Segundo a pesquisadora, os maruins são insetos muito pequenos, próximo aos mosquitos e borrachudos, e algumas espécies se alimentam de sangue para maturação dos ovos. Por conta desse habitat, podem causar incômodo à população já que a picada é bastante dolorosa e provoca muita alergia. Eles se criam em locais com umidade e matéria orgânica, sendo muito comuns em mangues e áreas de praias, ambientes comumente encontrados em Aracaju.

“Além disso, a espécie Culicoides paraensis foi incriminada na vetoração do vírus oropouche, que provoca uma doença com sintomas semelhantes à dengue. A Oropouche vem causando epidemias na região Amazônica brasileira desde a década de 60, porém, com a distribuição de testes diagnósticos para os Lacen dos estados brasileiros, temos visto uma expansão da enfermidade com casos sendo registrados na Bahia, Mato Grosso, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina”, reforça a pesquisadora.

Aprovação dos participantes

De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Lorena Pinto, a gestão está atenta e prepara os profissionais, capacitando acerca de temas que permeiam a prática dos profissionais de saúde, na intenção de qualificar a oferta de cuidado à saúde.

“O turno de educação permanente, é realizado um mês online e no outro mês presencial. É muito importante por ser uma troca de conhecimento, fortalecendo o trabalho que realizamos. Os nossos profissionais têm como principal ferramenta de trabalho o vínculo com os usuários e, a partir disso, uma construção de educação em saúde permanente, diante das necessidades de cada região. Na próxima semana, de 21 a 24, teremos mais um turno com o tema sobre armadilhas de Ovitrampas, que estão sendo adquiridas pela SMS neste combate ao mosquito. São armadilhas simples, com um vaso, preenchido com água em que é adicionada uma substância atrativa para o mosquito que fica posicionada em locais estratégicos. Dentro do vaso, há uma palheta de madeira para que a fêmea bote seus ovos”, ressalta Lorena.

Para a profissional do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Nathalie Alves, o conhecimento continuado beneficia tanto os profissionais, como a população. “É muito importante que todos os trabalhadores se capacitem e estejam atualizados”, afirma.

Quem pensa da mesma forma é o agente de combate às endemias da SMS, Vinícius Ribeiro, que elogiou a palestra e disse que o tema foi bastante propício. "A mídia está debatendo muito sobre o assunto e aqui conseguimos adquirir conhecimento, para levar ainda mais qualidade na assistência da população aracajuana”, frisa Vinicius.