Até a noite de quarta-feira (6), a capital sergipana registrou 599 casos confirmados de covid-19. O crescimento exponencial dos números já era algo previsto, sobretudo porque, recentemente, uma significativa quantidade de exames passou a ser feita. No entanto, ainda que seja um aumento esperado, contraria o esforço que tem sido feito para resguardar a população da contaminação. Por isso, a Prefeitura de Aracaju reforça a orientação de manter o distanciamento social como principal medida para controlar a propagação da doença.

A preocupação em adotar medidas cada vez mais restritivas tem a ver com salvar vidas, um esforço que visa, ainda, garantir que pacientes infectados possam ter atendimento digno e que o sistema de saúde possa suportar a demanda.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em 15 dias, houve um crescimento de cerca de 300% dos casos confirmados da doença causada pelo coronavírus, em Aracaju. Ainda que a grande maioria dos 599 casos, até o momento, só tenha necessitado de tratamento em isolamento domiciliar, a secretária da pasta, Waneska Barboza, faz um alerta sobre a situação.

“Demoramos 36 dias para atingir os primeiros 100 casos. A partir daí, atingimos 200 casos em 11 dias, 300 em três dias, 400 casos em dois dias, e 500 em um dia, ou seja, em cerca de 15 dias, houve um aumento de 300% do número de casos, partindo da data de início dos sintomas. A questão é que, considerando que as pessoas têm piora dos sintomas a partir da segunda semana de contaminação, significa que, nos próximos dias, poderemos ter um estouro de internações”,  alerta a secretária.

Leitos
Atualmente, a Prefeitura, de forma planejada, embasa em dados e projeções das autoridades sanitárias, tem estruturado mais de 200 leitos para o atendimento específico de pacientes com covid-19 que necessitem de internamento. São sete leitos já disponíveis na UPA Fernando Franco, 20 leitos contratados no Hospital São José e outros 30 contratados no Hospital Universitário. A Saúde de Aracaju também preparou mais 20 leitos no prédio do Centro de Apoio Psicossocial (Caps) Jael Patrício de Lima, e iniciou a estruturação do Centro de Atendimento Provisório, o hospital de campanha, que contará com mais 152 leitos.

De acordo com a secretária, diante do quadro atual, é preciso observar a taxa atual de internação. “Temos, hoje, de ocupação de leitos municipais, de baixa e média complexidade, o que envolve os leitos de retaguarda, 22,2% de ocupação. Quando vamos para as UTIs, no setor público, especificamente, temos o percentual de 21,7% de ocupação, e no privado de 28,2%. Considerado o todo, temos, no estado, 24,7% de ocupação”, pontua Waneska ao salientar a necessidade das pessoas se manterem em suas residências.

“A gestão pública precisa e está fazendo o seu papel, mas a população precisa fazer parte desse esforço e se manter em distanciamento e isolamento social. Não se trata de simples recomendações, estamos falando sobre salvar vidas”, frisa.

Um dos locais que tem abrigado leitos de retaguarda é a UPA Fernando Franco. Lá, são sete leitos, no entanto, como explica a coordenadora da unidade Andréa Souza, apenas um está disponível.

“Temos seis leitos na enfermaria e um de estabilização, sendo que, no momento, só temos disponível um leito na enfermaria. No Fernando Franco recebemos os pacientes que se consultam nos contêineres para atendimento a síndromes gripais. Quando temos a confirmação de covid-19 e o quadro apresenta agravamento, encaminhamos o paciente para os leitos de retaguarda, sendo que já tivemos alguns pacientes transferidos para outras unidades porque o quadro precisou de mais reforço. Ainda que tenhamos todo o suporte, no momento, é preciso conscientização por parte da população, para que não haja um colapso no sistema”, afirma Andréa.