Na manhã desta quarta-feira, 3, a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Assistência Social, realizou uma reunião sobre o Censo Demográfico da População em Situação de Rua de Aracaju. O encontro ocorreu no auditório da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) e teve como objetivo a discussão das estratégias e dos planos de ação para a realização deste Censo.

A reunião contou com a participação de representantes da Assistência Social; do Grupo de Trabalho do Censo de População em Situação de Rua; representante do Ministério Público Federal (MPF); representante da Secretaria Municipal da Saúde (SMS); bem como representantes das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) Pastoral Povo da Rua, Comunidade Bom Pastor e Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e o Instituto Braços, além de representantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Tendo em vista a distância de tempo da última realização do Censo Demográfico Nacional da População em Situação de Rua, em 2009, juntamente com a última pesquisa realizada pela Assistência Social, em 2007, no território de Aracaju, o planejamento de um novo Censo se dá com o intuito de compreender as principais características da população em situação de rua do município, para assim direcionar a qualificação dos serviços ofertados a esse grupo.

“A realização de um Censo da população em situação de rua é de extrema importância para que a gente possa conhecer de forma mais profunda qual o perfil dessa população que atualmente transita nas ruas da cidade, para que a gente possa estar reelaborando as políticas públicas voltadas para esse segmento. O último Censo foi realizado há muito tempo e a gente sabe que hoje o perfil dessa população é diferente, então esse conhecimento mais científico é necessário para que nós profissionais possamos traçar ações mais assertivas no atendimento às demandas desse público”, reforça a secretária da Assistência Social, Rosária Rabêlo, acerca da reunião.

Em complemento, o coordenador da Proteção Social Especial, Edilberto Filho, descreve a ação em conjunto com os outros representantes como agregadora, para que o processo seja realizado com êxito.

“Durante a reunião, o Grupo de Trabalho do Censo de População em Situação de Rua apresentou uma proposta metodológica para a execução dessas buscas, eles que já tem uma história de reuniões, uma história de construção, e esse é o momento de a gente se unir e se inserir nesse processo a partir dessa observação do que já foi produzido pelos movimentos sociais, pela UFS, para que possamos ter uma atuação mais protagonista dentro desse processo de confecção do Censo populacional, e assim, lapidando esses dados, ofertarmos uma melhor política ao segmento”, pontua Edilberto.

Representando o MPF, a procuradora da República, Martha Figueiredo, categoriza o Censo como instrumento fundamental para a política nacional.

“A gente precisa saber quem é a população de rua de Aracaju, onde estão, quais são as suas características peculiares, e quem nos dá esse retrato é o Censo, e para isso ele precisa ser constantemente atualizado para que a gente consiga traçar e concretizar as políticas públicas bem como os direitos fundamentais da população de rua, a saúde, a educação, a alimentação, a segurança”, expressa a procuradora.

O processo de apuração do Censo tem previsão de início para o final do mês de julho e será dividido em etapas gradativas de realização: avaliação e validação do caminho metodológico; elaboração e validação do questionário com aplicação de pré-teste; mapeamento dos pontos de fluxo; divisão dos territórios e das equipes para aplicação do Censo; treinamento das equipes; aplicação das duas etapas do Censo; tabulação e consolidação dos dados apurados e a confecção e divulgação do relatório final.

Presentes no encontro, o coordenador do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), Alisson Oliveira, e o sociólogo Matheus Barros, também integrante do MNPR, salientam a importância da presença do Movimento na reunião para dar voz à comunidade que vive em situação de rua.

“Os Censos foram a abertura para que a visibilidade da população de rua chegasse à tona para que as outras políticas públicas que já existem e as que passaram a existir fossem efetivadas, os encontros não só para discussão do Censo mas para o debate da temática é importante para que o conhecimento chegue também nas pessoas que não estão em situação de rua, o Movimento vai fazer 20 anos e cada vez queremos engajá-lo para trazermos visibilidade e consequentemente a efetividade das políticas públicas”, relata Alisson.

“A presença do Movimento no processo de feitura do censo dá o caráter democrático, participativo e metodológico do próprio censo, a gente entende que essa produção é um artefato político e científico, e, nesse sentido, ele deve conter a participação de diversos agentes que lidam diretamente com a população de rua, inclusive a própria presença da população de rua, então eu acho que isso tudo enriquece o processo”, descreve Matheus.