Depois do conversar com a imprensa, os enfermeiros e os agentes comunitários de saúde e de endemias do município, o prefeito Edvaldo Nogueira se reuniu com as entidades médicas e os representantes da rede hospitalar pública e privada para apresentar o Plano de Intensificação das Ações do Controle da Dengue. O encontro aconteceu na manhã de hoje, terça-feira, no auditório do Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos, e teve como objetivo central mobilizar os profissionais de saúde para evitar uma nova epidemia em 2009.

A iniciativa resultou na criação de um fórum permanente envolvendo hospitais, sindicatos, associações, conselhos e a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) para, a partir de janeiro, discutir os problemas da saúde pública. As reuniões devem acontecer a cada dois meses e, num primeiro momento, vão ter como foco prioritário a união de esforços para combater a dengue, que atualmente está sob controle, mas pode recrudescer no próximo verão – quando existem as condições favoráveis para a proliferação do mosquito transmissor Aedes aegypti.

A abertura desse canal de diálogo agradou a categoria. "O prefeito demonstra hoje um gesto de inteligência, humildade e perspicácia, na medida em que descentralizou as ações e conclamou os representantes da área de medicina para dar sua parcela de contribuição num momento tão crucial de possível epidemia de dengue. Foi muito sensível da parte dele chamar os médicos para que, junto com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), possamos evitar uma nova epidemia", reconheceu o presidente da Sociedade Médica de Sergipe (Somese), Petrônio Andrade Gomes.

Quem também aprovou a iniciativa foi o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), João Augusto Alves de Oliveira. "Esse momento foi muito importante porque representou o pontapé inicial para unirmos forças e prestarmos à sociedade uma melhor assistência na área de saúde. É isso que esperamos que a Prefeitura de Aracaju continue fazendo. Afinal, a união de forças é ótimo para a população e a categoria como um todo. A reunião de hoje não poderia ter sido mais produtiva", opinou.

Experiência

Edvaldo Nogueira iniciou o encontro fazendo uma análise da tentativa de politização da dengue no período pré-eleitoral e relembrou o envolvimento de toda a sociedade para que, num tempo recorde de dois meses, a epidemia fosse debelada no município. "O poder público tem seu papel nesse processo, mas as entidades médicas e a rede hospitalar que cuidam do dia-a-dia da saúde têm experiência e conhecimento necessários para que de forma efetiva possamos resolver os problemas na saúde", ressaltou.

Em seguida, o prefeito detalhou as ações do plano que vêm sendo deflagradas desde o fim da epidemia e intensificadas a partir do mês de setembro. As principais medidas em vigor são: ampliação das visitas domiciliares com a contratação de 200 novos agentes de endemias por meio de concurso público; mobilização dos agentes comunitários de saúde todos os dias da semana; capacitação de médicos e enfermeiros; utilização de adesivo de alerta nas portas das casas fechadas; atividades educativas nas escolas e nos bairros; e criação da Comissão Executiva Intersecretarias Municipais para Ações de Prevenção e Controle da Dengue.

De junho até outubro foram capacitados 432 profissionais da saúde e 300 professores das redes pública e privada; visitadas 260 mil residências; realizadas 64 mutirões de força-tarefa e aplicações de fumacê costal; e coletados 9.350 pneus em diversos bairros. Os resultados alcançados têm sido tão bem avaliados em nível nacional que o Ministério da Saúde começa a implantar dois projetos-piloto em Aracaju e mais 13 cidades brasileiras: o uso de armadilhas para mosquito adulto e a realização de teste rápido para detecção precoce do vírus circulante.

Atendimento

A Prefeitura de Aracaju mantém ainda toda a estrutura de atendimento diferenciado ao paciente com suspeita de dengue. Continuam em funcionamento as salas de hidratação nas 43 Unidades de Saúde da Família (USF) e nos dois hospitais de urgência da Zona Norte e da Zona Sul, assim como a entrega de resultados dos exames no mesmo dia por meio da Unidade de Resposta Rápida, um projeto pioneiro criado pela SMS para agilizar o diagnóstico da doença, priorizar os casos confirmados e qualificar o acolhimento.

Efetivação

Outra medida importante foi a efetivação na administração pública municipal de 509 agentes de saúde e endemias, que trabalhavam em média há dez anos de forma precarizada. Os processos dos demais 337 agentes que ainda continuam prestando serviços terceirizados ao município continuam na Comissão Paritária de Avaliação. À medida que as documentações forem sendo analisadas e aprovadas, serão tomadas todas as providências para a incorporação do restante ao serviço público, com a posterior nomeação e posse.

De acordo com o secretário Municipal de Saúde, Marcos Ramos, a reunião superou as expectativas. "Essa conversa com as entidades médicas, a rede hospitalar e o próprio prefeito foi a maior premiação que eu poderia ter recebido como gestor. Abriu-se um canal de diálogo permanente de maneira soberana e inteligente. A partir do ano que vem teremos oportunidade de colocar todos os assuntos na mesa, discutir os problemas e, a partir do debate, buscar a melhor solução para uma doença que precisa de envolvimento dos diversos setores da sociedade para ser debelada", argumentou.

Presenças

Participaram do encontro os representantes da Clínica Renascença, Reginaldo Silva; Hospital de Cirurgia, Valberto de Oliveira Lima; Hospital São Lucas, Sérgio Murilo; Hospital São José, Carlos Vieira; e Conselho Regional de Medicina, Paulo Amado; além dos secretários municipais Luiz Carlos Oliveira (Procuradoria Jurídica), Lucivanda Nunes (Chefia de Gabinete) e Antônio Samarone (Transporte e Trânsito); do diretor técnico e da coordenadora do Programa de Saúde da Criança da SMS, Byron Ramos e Sílvia Palmeiras, respectivamente.