Com fogos, velas, orações, cânticos de louvor e muita fé, quase 50 mil católicos participaram nesta sexta-feira, em Aracaju, da tradicional procissão em homenagem a Santo Antônio, um dos maiores eventos religiosos da capital. O cortejo saiu às 20h da Colina de Santo Antônio, logo após a última missa da trezena, e percorreu as principais ruas do bairro que leva o nome do santo. O prefeito Edvaldo Nogueira, ao lado do governador Marcelo Déda e outras autoridades, acompanhou os passos dos fiéis, que durante todo o percurso demonstraram sua devoção.

Apesar da dificuldade da caminhada, aumentada pelo peso de quase 70 anos de idade, dona Zoraide Barros não abriu mão de participar mais uma vez da procissão. "Enquanto tiver saúde faço questão de estar aqui. Sou devota de Santo Antônio desde menina. Sempre fui abençoada e protegida por ele e este ano vim pedir a recuperação da minha filha", contou a aposentada.

Para Edvaldo Nogueira, atitudes como a de dona Zoraide mostram que Santo Antônio, considerado o mais popular do Brasil, tem um lugar especial no coração dos aracajuanos e na história de Sergipe. "A primeira vila do Estado foi chamada de Santo Antônio de Aracaju. Foi a partir do seu desenvolvimento que nossa cidade foi se configurando até se tornar capital. Desde essa época, a ligação entre a população e Santo Antônio é muito forte", lembrou.

Ainda de acordo com ele, além da importância histórica, aspectos culturais também justificam a imensa legião de devotos do santo, que é um dos três do ciclo junino. "Tradicionalmente, Santo Antônio, assim como São João e São Pedro, está ligado à colheita. Muitos agricultores oram pedindo que ele garanta boa safra e fartura na mesa. Isso é comum no Nordeste", acrescentou.

"Santo Antônio está no coração das pessoas pela vivência da palavra de Deus e pelo seu desdobramento a favor da humanidade, sobretudo dos pobres, dos sofridos, levando sempre o Evangelho. Foi uma luta grande e ele muito sofreu pelo bem das pessoas", destacou o arcebispo de Aracaju, Dom José Palmeira Lessa.

Santo Antônio

Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo (verdadeiro nome de Santo Antônio) nasceu em Lisboa, em 15 de agosto de 1195. Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano. Em 1220 trocou o nome para Antônio e ingressou na Ordem Franciscana. Após um ano de catequese no Marrocos, teve de deixar o país por motivos de saúde e seguiu para a Itália.

Lecionou teologia nas universidades de Bolonha, Toulouse, Montpellier, Puy-en-Velay e Pádua. Em todos esses lugares, lhe eram atribuídos feitos prodigiosos. Era um pregador culto e apaixonado, conhecido por sua devoção aos pobres e pela habilidade para converter heréticos.

A saúde sempre comprometida o obrigou a se recolher no convento de Arcella, perto de Pádua, na Itália, onde escreveu uma série de sermões. Antônio morreu em 13 de junho de 1231. Foi canonizado em 13 de maio de 1232 (apenas 11 meses depois de sua morte) pelo papa Gregório IX.