A Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Assistência Social, retomou as atividades pedagógicas em parceria com a Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat). Nesse momento de retorno, foi realizada a oficina "Preparação para o mercado de trabalho" para os usuários do Centro Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP). Durante o encontro, os assistidos foram orientados acerca do mercado de trabalho e direcionados para participação em processos seletivos.
Muitas vezes marginalizada e excluída da sociedade, a população em situação de rua geralmente encontra impasses para se reintegrar socialmente devido à invisibilidade social e à estigmatização que ainda limitam as suas chances, principalmente no mercado de trabalho. Através do curso preparatório, os assistidos aprenderam a montar o próprio currículo, a como se portar em uma entrevista, bem como foram direcionados acerca de como ir em busca do emprego que mais se encaixa no seu perfil. Os assistidos relatam que, para além de uma simples oficina preparatória, esse momento é uma chance de ter esperança, ganhar novas habilidades e, quem sabe, reencontrar a autoestima.
“Fazer o curso, para mim, foi muito bom, porque eu terminei a escola no sexto ano e eu não tinha conhecimento sobre o mercado de trabalho, e com essa oficina fica uma esperança de conseguir acessar outros espaços e ter a ajuda de outras pessoas, futuramente”, pontua Alexandre do Santos Silva, que frequenta o Centro POP há dois anos.
Alguns dos assistidos nunca tiveram a chance de entrar para o mercado de trabalho, porém outros sim, como é o caso de Hirksfan Costa Silva, de 36 anos. Pessoa em situação de rua, Hirksfan já trabalhou como cozinheiro geral e já havia realizado outro curso pela Fundat. Ele destacou a importância de contar sua história e inspirar os colegas.
“É uma possibilidade muito importante para todos, ter essa oficina, porque muitas pessoas aqui não tem oportunidades, então é fundamental para a gente ter mais compreensão, saber como é o mercado de trabalho, se comportar, saber como está o currículo, isso ajuda bastante, porque a intenção existe, mas a abertura não chega. Alguns se sentem constrangidos, com receio de vir, porque não tem roupa arrumada, se sentem discriminados, então esse curso ter vindo pra cá é importante porque desperta o interesse, tira um pouco da mente da rua e traz para o mercado de trabalho, porque tem muita gente que tem profissão boa, que é até formado, mas por motivos da vida, circunstâncias, acabaram desistindo, e com a oficina essa esperança é alimentada”, descreve Hirksfan.
Emocionado com a oportunidade, o porto-alegrense Carlos Alessandro Ferreira, em situação de rua há 24 anos, compartilha a reflexão que é de pouco em pouco que se chega longe.
“Isso que está acontecendo aqui é muito importante, não só para mim, como para todos que estão aqui. É apenas um passo, mas é com um passo que se começa uma caminhada muito grande; eu mesmo já quase andei o Brasil inteiro e começou tudo com um passo, então se eu consegui fazer isso, andando no Brasil, eu posso fazer isso na minha vida. Eu acredito no trabalho do Centro POP e acredito que isso aqui é importante para mim, porque adquirindo qualquer informação que seja, vai fazer uma diferença no meu cérebro”, agradece Carlos.
O que diz o Movimento
Membros do Movimento Nacional de População em Situação de Rua em Sergipe puderam acompanhar a oficina, verificando de perto os trabalhos realizados no equipamento. O coordenador do Movimento Nacional em Sergipe, Alisson Oliveira, reforça a importância da realização da oficina e destaca a gama de talentos que podem ser explorados.
“É importante porque existem vários profissionais aqui que já tiveram a trajetória de carteira assinada, existe um grande leque de empreendedores autônomos que não trabalharam com carteira assinada ou trabalharam em outras áreas e esse direcionamento para o mercado de trabalho é o primeiro ou o segundo passo na reestruturação da vida da pessoa em situação de rua, porque apenas o assistencialismo e a caridade já não são tão efetivos no sentido de uma mudança real de vida para esse pessoal. Então, a importância da oficina é porque a gente sabe que tem gente aqui com capacidade de mudar a própria vida, mas que ainda não tinha tido esse pontapé inicial”, pontua Alisson.
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