Desde o mês de março as aulas presenciais das escolas do município de Aracaju estão suspensas devido à pandemia da covid-19. Por conta disso, o projeto "Pega Visão", desenvolvido desde 2018 pela Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Educação (Semed), está acontecendo de forma virtual.
O projeto reúne cerca de 80 alunos das escolas, que ofertam ensino do 6º ao 9º ano, para conversar, em dias e horários pré-agendados, sobre situações de vulnerabilidade, como saúde mental, empoderamento, projeto de vida, violência, autoestima, representatividade, dentre outros temas relacionados ao cotidiano dos estudantes.
Se antes mesmo da pandemia a participação dos alunos era considerada satisfatória, com as discussões no âmbito on-line o interesse tem sido ainda melhor, inclusive com participação de pais e mães, conforme explica a coordenadora de Políticas Educacionais para a Diversidade (Coped) da Semed, Maíra Ielena.
"Com a pandemia, as aulas foram interrompidas. Mas buscamos dar continuidade aos diálogos por meio da internet ou qualquer aplicativo de celular. Fomos atrás das escolas, uma por uma, e propomos a execução do ‘Pega Visão on-line’, com as mesmas temáticas", afirma Maíra, ao destacar que na Escola Municipal de Ensino Fundamental Sérgio Francisco da Silva, situada no bairro Lamarão, a participação dos alunos é classificada como "excelente".
Conforme a coordenadora, na maioria dos casos, os alunos têm perfis de extrema vulnerabilidade social, com relatos de casos de violência, automutilação, depressão e ansiedade. "Um verdadeiro caos. Nessa escola eu me encontro toda sexta-feira, a partir das 16h, de forma on-line, num grupo que foi criado. Na sexta-feira passada, muitas mães participaram do encontro. Estamos conseguindo manter os vínculos entre os alunos da escola e aproximar, de alguma forma, as famílias das escolas. É como se as mães e pais tivessem se libertado para o fato de que a escola é uma instituição e que toda a comunidade é extensiva às famílias", conta a coordenadora.
Maíra diz ainda que, quando os alunos conseguem conversar e externar mais as suas inquietudes, é aberto um vínculo com a escola e os professores, os quais estão ouvindo muito mais os seus alunos, e aquela hierarquia tradicional que havia entre eles, segundo a coordenadora, fica nivelada, o que é extremamente positivo.
"Está todo mundo junto, se abrindo para o que está vivenciando. Para nós, que lidamos com educação de direitos humanos, o principal valor é a empatia. A gente está conseguindo criar essa empatia, mesmo que à distância. Estou encantada com os resultados desse projeto. Sou suspeita para falar, mas o projeto é muito bonito. Mesmo nesse período de pandemia, a Semed está se aproximando dos alunos, não somente para passar conteúdo disciplinar, mas para fazer com que esses meninos mantenham um mínimo de saúde mental no momento em que eles estão afastados dos amigos, em que estão reclusos, e as relações familiares mais intensas", relata a coordenadora.
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