A pandemia do novo coronavírus afetou e mudou a rotina de todas as pessoas, mas, de modo especial, a dos profissionais de saúde. Impedidos de ficar em casa, como recomendado à maioria da população, eles se revezaram numa luta injusta contra um inimigo invisível e têm dado, dia após dia, o seu melhor. Nesse contexto, o profissional médico foi um dos mais demandados, vivendo dias desafiadores e repletos de questionamentos, mas que, certamente, fazem com que eles cheguem nesse 18 de outubro, quando é celebrado o Dia do Médico, cheios de realização e orgulho.
De acordo com o médico Sebastião Júnior, que atua em Unidades Básicas de Saúde de Aracaju, esse ano, a data, de fato, tem um significado diferente. Isso porque, para Sebastião, atuar na linha de frente fez os médicos repensarem sua profissão e, ao mesmo tempo, reafirmarem o sentido dela.“Ser médico, nesse momento, nos mostra a nossa própria força, coloca em prova nossa coragem e nosso papel na sociedade”, resume.
Segundo o profissional, antes de decidir fazer parte da linha de frente na luta contra a covid-19, foi necessário se colocar à prova consigo mesmo. “Com meus medos, com minhas inseguranças, e foi uma grande conquista conseguir me manter na linha de frente. Fez eu me repensar como ser social e como ser médico”, ressalta.
Sebastião também afirma que a atuação médica, nesse momento, os alçou a um papel de significância maior. “Em alguns momentos, nos alçou à categoria de heróis, mesmo com medo, insegurança perante a morte, e nos fez vitoriosos, porque nos fez enfrentar medos e frustrações, o medo de morrer e o medo de perder parentes”, reitera.
Formada em abril deste ano pela Escola Baiana de Medicina, Natália Consuelo Machado de Figueiredo, 23 anos, já iniciou a carreira em meio à pandemia. Também servidora da Secretaria Municipal da Saúde, ela atuou no Hospital de Campanha em todos os quatro meses de funcionamento da unidade e hoje ainda atua em UTIs voltadas para a covid.
“Foi complicado o início, porque ao mesmo tempo em que finalmente alcancei o sonho de me tornar médica, nunca imaginei experienciar uma pandemia junto a isso. Além dos desafios que já vêm com a condição de você, de fato, se tornar médica, vieram muitos outros que afetaram o mundo”, lembra.
Para além disso, segundo Natália, era tudo muito desconhecido, faltava informação e fluxos e protocolos específicos para combater a pandemia. Esse foi, para ela, o maior desafio imposto pela pandemia aos profissionais da área. “O desafio foi lidar com o desconhecido, não foi o medo; veio mais o ímpeto de conseguir fazer alguma diferença no momento, de ficar firme, mas era clara a insegurança da equipe. As coisas foram se organizando à medida em que iam acontecendo”, ressalta.
Mesmo atuando desde o início, Natália não foi infectada, como muitos de seus colegas de profissão. Para ela, esse tem sido mais um sinal de que precisava continuar na linha de frente, ajudando a compor escalas desfalcadas pelos médicos infectados. “Eu segui com esse propósito, pelos pacientes e pela equipe. A recompensa é todos os dias transformar a vida de alguém e também ser transformado, fazendo a diferença na vida das pessoas”, argumenta.
Diretora do Hospital Municipal Fernando Franco, Suyan Michele Dias Silva, encarou um desafio duplo nessa pandemia: “além de todo o estresse causado pelos cuidados com a doença, veio a responsabilidade com o hospital”, diz ela. Suyan passou a ter que gerir a unidade e os próprios colegas, que precisaram de apoio.
“A gente teve dias difíceis, estressantes. A própria estrutura do hospital aumentou, com a retaguarda e o contêiner, ambos para casos de covid. Quando um médico adoecia e faltava ao plantão, eu supria a escala. Tudo para não sobrecarregar a equipe e atender à população”, comenta.
Diante desse cenário, Suyan não tem dúvidas de que a palavra que vai permear as celebrações ao Dia do Médico este ano é superação. “A gente chegou a achar que não ia conseguir, mas a gente está dando conta e faz tudo o que está ao nosso alcance, dando sempre o nosso máximo. Então, sem dúvida, esse Dia do Médico será especial”, analisa.
Para Natália e Sebastião, de fato, foi a união e empatia dos profissionais que permitiu o tratamento e a cura de tantas pessoas. “Agradeço a Deus por ter conseguido, ter sobrevivido, não ter perdido nenhum familiar pela covid e, hoje, celebro a vida e parabenizo todos os médicos”, diz Sebastião. Natália concorda. “Todos os que, da forma que podiam, atuaram contra a pandemia estão de parabéns. A gente reviu nossas prioridades, coletiva e individualmente”.
Dia do Médico
O Dia do Médico foi criado a partir da celebração a São Lucas, considerado o padroeiro da categoria. Isso também acontece para outros países tradicionalmente católicos na Europa, como Bélgica, Espanha, Itália, Polônia e Portugal. Além de ser considerado um dos apóstolos evangelizadores de Jesus, Lucas era médico.
Já outros países adotam dias diferentes para a comemoração do Dia do Médico: nos Estados Unidos, por exemplo, a comemoração acontece em 30 de março, data na qual a anestesia foi utilizada pela primeira vez no país e oficializada por George W. Bush, então presidente norte-americano, em 1990.
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