A gravidez na adolescência ainda pode ser considerada, por muitos na sociedade, como um tabu. Mas, para evitar o aumento nos índices que envolvem adolescentes entre 12 e 18 anos, é necessário que o assunto seja explorado. É por isso que esse foi o tema escolhido para ser abordado em mais uma edição do projeto ‘Adolescer’, desenvolvido na manhã desta quinta-feira, 22, no Centro de Educação Permanente em Saúde (CEPS), através de uma parceria entre as secretarias municiais da Assistência Social e da Saúde (SMS), destinado aos adolescentes que estão em situação de acolhimento nas unidades da Assistência Social de Aracaju.
O projeto tem como objetivo conscientizar, contribuir com o processo de aprendizagem dos meninos e meninas e torná-los cada vez mais autônomos e participativos diante às principais discussões na sociedade. A cada edição do ‘Adolescer’, que é realizado pelo menos uma vez ao mês, um tema é levado para ser abordado.
Segundo a enfermeira responsável por conduzir as discussões, Maria das Graças Nunes, a gravidez na adolescência traz uma série de preocupações. Para ela, o tema deve estar sempre presente nos momentos de conversa e auxílio como uma forma de alerta. “Antes de tudo, queremos conhecer todas as dificuldades que eles têm para compreenderem o assunto e, logo em seguida, tentar tirar todas as dúvidas da melhor forma possível, fazendo com que esses adolescentes entendam a lógica da gravidez na adolescência como um fator que exige responsabilidade e compromisso. Queremos fazer com que eles enxerguem que essa não é uma fase adequada para que a menina fique grávida, principalmente por causa do seu corpo que não está preparado. Quando uma adolescente fica grávida, a depender da sua idade, é considera como uma gravidez de alto risco tanto para a mãe, quanto para a vida do bebê em formação. Então, os cuidados devem são redobrados”, ressalta.
A ação teve início com a exibição de um documentário, que retratou as dificuldades enfrentadas por uma adolescente que, aos 15 anos de idade, teve o seu primeiro filho. Após a exibição, os participantes se reuniram em uma roda de conversa para debater sobre o curta e expor as suas ideias. Uma das participantes foi a N. P, de 13 anos. Para ela, que mostrou durante a atividade ser bastante consciente em relação ao assunto, gravidez é coisa de adultos que já têm as suas vidas planejadas. “Eu me vejo como uma criança. Já pensou está com outra criança em meu colo? Seria, no caso, uma criança cuidando de outra criança. Compreendo essa fase da adolescência como um momento em que devemos aproveitar muito aprendendo com diversão e estudo”, opinou.
Em edições anteriores, outros temas, a exemplo do ‘uso de drogas’, ‘planejamento familiar’ e ‘empoderamento da mulher’, foram abordados. A educadora social, Kelly Silveira, acredita que todos esses projetos que trazem questões diversas complementam as atividades que já são desenvolvidas, gerando resultados positivos. “Quando trazemos esses meninos e meninas para um espaço como esse, em que diversos temas são colocados para discussões com uma metodologia nova, é muito bom. Acaba agregando às nossas atividades de socioeducação e despertando o interesse deles sobre os temas. Hoje, por exemplo, foi um momento muito bom de conscientização e prevenção”, pontuou.
Após as atividades, os participantes foram acompanhados por uma equipe da Secretaria da Saúde, que verificou os cartões de vacinação e tratou sobre demais assuntos relacionados à saúde do adolescente.
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