Gandal é uma expressão da língua fula, falada principalmente na África Ocidental, que significa conhecimento e sabedoria. Foi com o objetivo de compartilhar conhecimentos, que a Prefeitura de Aracaju, por intermédio da Secretaria Municipal da Assistência Social, realizou neste sábado e domingo, 21 e 22 de setembro, na Casa dos Conselhos Municipais, no centro da capital, a Formação Gandal, com o tema “Caminhos de Igualdade, Transformando Realidades”. Uma iniciativa da Gerência de Igualdade Racial, que integra a Diretoria de Direitos Humanos, que tem como público-alvo artistas e produtores culturais da capital, de comunidades periféricas e predominantemente negras.
A formação conta com quatro oficinas e tem duração total de 16 horas. Ao todo, cerca de 80 artistas e produtores culturais da capital participaram das oficinas sobre Elaboração de Projetos; Gestão de Carreira e Produção Executiva; Produção de Eventos; e Captação de Recursos. O objetivo foi promover a autonomia e o espírito empreendedor dos participantes, contribuindo para o desenvolvimento dos territórios.
"Esse momento é de fundamental importância para a cidade. É uma forma de a gente aprender como fazer a captação desses recursos, com planejamento. Como devemos colocar as nossas ideias dentro desse planejamento de forma organizada para que a gente possa trazer recursos para as nossas periferias. E quem mais está nos territórios periféricos é a nossa comunidade, que ainda vive num processo de exclusão grande. E a gente só pode fazer inclusão social nesse país com recurso. Claro que outros elementos são importantes, mas, o financiamento é fundamental", destaca a secretária da Assistência Social, Rosária Rabêlo, descrevendo o evento como um ato de extrema importância para a pasta.
A diretora de Direitos Humanos, Rosana Adrião, explica que a Diretoria de Direitos Humanos da Prefeitura de Aracaju atualmente está inserida no Sistema Único de Assistência Social (Suas) e, a partir disso, as equipes possuem um olhar inclusivo.
"Direitos Humanos é muito amplo, temos hoje na nossa diretoria o trabalho da igualdade racial, da assessoria LGBTQIAPN+, dos direitos da mulher, da pessoa com deficiência, então a gente tenta, o máximo possível, trazer essa possibilidade de capacitação, porque é um público que precisa de espaços, de novos caminhos, de fortalecer as suas lutas, que são nossas lutas também. É um grande privilégio a gente estar hoje aqui com o público de produtores culturais negros, atores, atrizes, poetas, poetisas, pois são pessoas que precisam de oportunidades para acessar vários editais que tem aí", afirma, Adrião.
A gerente de Igualdade Racial, Thatiana Meneses, garante que, a partir do conhecimento técnico passado durante a formação, a execução de eventos pode promover a autonomia desses artistas e o desenvolvimento dos territórios onde eles moram, as periferias, contribuindo para a aplicação do acesso à cultura.
"Esse preparo técnico é essencial para que eles estejam capacitados para os editais e, não só isso. Na parte de captação de recursos, que é um dos módulos, eles vão aprender também a captar recursos de empresas particulares, então, é de autonomia de uma forma geral. Eles não precisam só depender do poder público, eles podem também fazer o seu próprio evento, de forma autônoma, pensando, organizando o seu evento, na maneira que eles quiserem. E esse tipo de atividade, pode transformar o território, pode trazer novas possibilidades, novos olhares para o território. A gente, de alguma maneira, está fazendo um serviço que tem a ver com assistência social", diz.
Para a cantora Lari Lima, participar da Formação Gandal é uma oportunidade essencial para agregar a sua carreira. "Eu sei que vou sair daqui com vários conhecimentos incríveis para poder propagar no meu trabalho musical. Todos os temas são muito bons. E aí vai fazer a minha gestão, enquanto visão, também. Unir o que eu acredito para com o meu trabalho e para com as pessoas que eu também posso estar somando. Então, acredito que esse trabalho, o Gandal, é esse coletivo mesmo", pontua.
Já o produtor cultural, poeta e rapper, Egildo Conceição Silva, conhecido como Kowalski, conta que desde que teve conhecimento da formação ficou bastante ansioso, tendo em vista que são temas essenciais para o desenvolvimento da sua trajetória artística.
"Eu precisava desse projeto na minha vida, como produtor cultural principalmente, entender das leis e como funcionam, como escrever projetos. Eu acho que para a maioria dos periféricos hoje em dia, a maior dificuldade é justamente essa, descrever o projeto, de como entender e fazer acontecer. Daqui pra frente isso vai me ajudar de diversas maneiras a construir meu dinheiro, a conseguir terminar meus estudos na questão do que eu tô trabalhando hoje em dia", fala, Kowalski.
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