Irani Pacheco acorda todos os dias às 5h30 da manhã, toma café, calça o tênis e vai caminhando até à Estação Cidadania – Esporte "Radialista Carlos Carlos Magno", complexo esportivo municipal localizado próximo de sua casa, no bairro Bugio, em Aracaju, onde pratica atividades físicas. Essa tem sido a rotina da aracajuana de 72 anos desde o início do ano. Algo que, para ela, já se tornou uma prioridade, depois de tantas melhorias de saúde alcançadas. 
Segundo dona Irani, fazer parte das atividades ofertadas pela Prefeitura de Aracaju na Estação Cidadania trouxe benefícios não só para a sua saúde física, mas também mental, já que hoje ela não toma mais remédios controlados. “Isso aqui faz parte da minha vida e contribui bastante para a minha saúde. Deixei de tomar remédio tarja preta, porque minha depressão está curada. Mudou a minha vida e eu não quero parar mais”, conta.
Cheia de energia e simpatia, dona Irani é uma das maiores alegrias das aulas. Sempre com o sorriso no rosto, ela conta que depois da Estação Cidadania, fez muitas novas amizades e sua vida deu um salto. “O coleguismo aqui é maravilhoso. Eu faço questão de trazer animação, já chego abraçando todo mundo. A alegria faz parte da saúde da gente, assim esquecemos um pouco dos problemas. Afinal, viemos para cá para nos exercitarmos e melhorar a saúde. Agradeço demais por ter um espaço como esse, e enquanto eu estiver de pé e as perninhas aguentarem, estarei aqui”, reforça a aluna. 
Dona Irani é apenas uma entre milhares de alunos que passam pela Estação Cidadania toda semana. A comunidade do bairro Bugio tem sido positivamente impactada pelas ações de esporte, lazer e cidadania, na região, decorrentes da construção do espaço. De acordo com o secretário municipal da Juventude e do Esporte (Sejesp), Sérgio Thiessen, o local “é uma comprovação de tudo aquilo que o esporte é capaz de transformar”. 
“Existe uma comunidade no Bugio e adjacências que tem um antes e um depois da inauguração da Estação Cidadania. Ali é um espaço privilegiado, com atividades físicas, recreativas, lúdicas, e já serviu até como centro de vacinação no auge da pandemia. Portanto, é um local que respira cidadania. As pessoas que estão mais próximas, vendo o dia a dia das diversas atividades, percebem que ali acaba se tornando um ponto de encontro, não só um local para a prática de atividade física, mas também para socializar, mudar as expectativas e visões de vida. Acompanhar essa modificação na sociedade está sendo muito gratificante”, avalia o gestor. 
A Estação Cidadania atende mais de 1.500 alunos por semana, e uma média de 7 mil pessoas por mês passam por lá, conforme aponta o secretário. As aulas vão desde dança, ginástica, a todos os tipos de luta, capoeira, futsal, voleibol, handebol, badminton, atletismo, funcional e aeróbica. Além disso, diversos eventos também são realizados no local.
“Cada pessoa que entra na Estação, é impactado de alguma forma. Desde a criança, que não tinha oportunidade de praticar o esporte num local como aquele, do mais alto gabarito, de forma gratuita, com tudo à disposição, os melhores professores e estrutura, até aquela senhora que vai lá e se acaba se apaixonando e criando um vínculo de amizade”, acrescenta Thiessen. 
Resultados
As mudanças não atingem só alunos. Para aqueles que acompanham diariamente a evolução e dedicação de cada um, também há ganhos e impactos positivos. O professor de funcional Edson Lopes conta o quanto tem sido gratificante dar aulas na Estação Cidadania. 
“Semana passada recebi uma ótima notícia de uma aluna que tem diabetes. Quando ela começou as aulas, a diabetes dela estava crônica, bem aguda e avançada. Ela fez os exames e mandou mensagem no privado dizendo que a diabetes hoje está controlada. Ela era sedentária e reconhece que esse resultado é graças às atividades físicas que ela pratica diariamente na Estação Cidadania. Fora outras pessoas que vêm caminhando de casa e que antes mal levantavam. Para mim, isso é muito gratificante, poder ver que não só a autoestima deles melhorou, como a saúde também está acima do que eu esperava nesse decorrer”, 
Muitos frutos já estão sendo colhidos, e da Estação Cidadania têm sido descobertos diversos talentos. Um deles é a atleta Yasmin Vieira. Em apenas seis meses praticando atletismo, a jovem já conquistou medalhas de ouro, foi classificada para campeonatos nacionais e chegou a ser contemplada com patrocínios. 
“Aqui no estado ela foi campeã nos Jogos da Primavera, com medalha de ouro na prova 80 m com barreira. Com essa medalha, ela foi para o campeonato brasileiro, onde ela não teve medalha, mas teve um resultado excelente para quem tem apenas alguns meses de treino”, conta orgulhosa Maria José Vieira, mãe da atleta. 
Segundo Maria José, esse não é o único bom desempenho que Yasmin está tendo após o convívio na Estação Cidadania. A garota também passou a ser mais organizada e dedicada. “Ninguém precisa dizer o que ela tem que fazer. Ela acorda sozinha, vai para a academia, e nos dias de treino ninguém precisa perguntar se ela foi ou não. Para falar a verdade, nem a modalidade a gente conhecia. Estamos todos nos apaixonando pelo esporte”, descreve a mãe. 
Para Yasmin, além de ter ganhado um esporte para se dedicar, também conquistou professores empenhados e amigos divertidos. “Eu acho que aqui melhorou muito minha vida. Eu não ia começar a treinar atletismo em outro lugar, porque eu nunca tinha me interessado por esse esporte. Eu nem conhecia, nunca tinha treinado. Os professores me ajudam muito e não só os do atletismo, mas os outros também, mesmo não sendo da minha modalidade, eles também sempre ajudam. E o diretor daqui sempre me ajuda. Fiz muitos novos amigos também”, conta. 
Agnaldo Santos, um dos professores de atletismo, ministra aulas na Estação Cidadania todos os dias e conta que, muito além da função profissional, ele e os demais treinadores se envolvem especialmente com os alunos. “Durante a semana tenho contato com cerca de 90 alunos. Esse espaço mudou a minha vida pessoal, porque a gente passa a ver com outros olhos. Não é só chegar aqui e aplicar o treino. Nós trabalhamos com crianças da periferia, e algumas delas chegam aqui sem comer. Então aqui a gente se preocupa com isso, conversamos com eles, perguntamos sempre quando foi a última refeição. A gente passa a se dedicar, a ter uma preocupação com o próximo. Cria-se uma empatia com o outro”, afirma o professor. 
E continua. “Esses atletas não só conhecem as modalidades. Nós trabalhamos um direcionamento para eles, eles não ficam com tempo ócio. Ao invés de estar em casa sem ter o que fazer, eles praticam atividades físicas, conhecem uma nova modalidade esportiva e, com isso, nós professores temos a visão de identificar as crianças que podem se identificar com aquela prova, encaminhando o aluno para a prova específica, e os resultados estão aí, Yasmin é o próprio exemplo”, destaca Agnaldo. 
Gerenciamento 
De acordo com o secretário Sérgio Thiessen, para garantir o melhor funcionamento da Estação Cidadania foi preciso deslocar toda a Diretoria de Esporte e Lazer da pasta, que antes ficava na sede da Sejesp, para o centro esportivo. Cerca de 20 profissionais compõem o setor, entre professores e estagiários. No entanto, por se tratar de uma gestão complexa, a Prefeitura também firmou parcerias importantes, como o Governo do Estado e alguns professores e associações locais. 
“Quando assumimos a Estação Cidadania, há dois anos e meio atrás, pensamos em soluções criativas que garantissem que a sociedade seria beneficiada ao máximo. Um espaço público como esse precisa ser otimizado e tem que funcionar em tempo integral para atender a comunidade, e assim acontece. Além da nossa equipe da Diretoria de Esporte e Lazer, firmamos parcerias com a Escola de Esporte do Governo do Estado, e algumas associações, com alguns profissionais que vão de forma voluntária dar suas disciplinas”, explica o secretário.