Centenas de pessoas foram às ruas do bairro Santa Maria, zona Sul, nesta quinta-feira, 30, em uma caminhada para sensibilizar a população acerca do combate ao abuso e exploração sexual infantil. Encabeçada pelo 6° distrito do Conselho Tutelar de Aracaju, as Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef) Papa João Paulo II e Professor Laonte Gama da Silva, ambas localizadas no bairro, se uniram à causa e estudantes e professores marcharam pelo bairro com faixas e distribuindo panfletos informativos à população. 
No ano passado, o 6° distrito do Conselho Tutelar – que cobre os bairros Aeroporto, Santa Maria, 17 de Março e Zona de Expansão – registrou 29 casos de abuso sexual contra criança ou adolescente. Em 2019, até o momento, já foram registrados 26 casos. “Além do aumento desses registro, este também é o mês alusivo a esta causa. Por este motivo, decidimos mobilizar todas as instituições presentes nos bairros, escolas, Cras, Creas, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância em denunciar”, explicou a conselheira tutelar Maria Andreza Silva Lima. 
A caminhada teve início na Emef Papa João Paulo II e seguiu pela avenida Alexandre Alcino, até a sede do Conselho Tutelar, próximo a rótula de acesso ao bairro 17 de Março. Cerca de 70 alunos da Emef Papa João Paulo II participaram da passeata. “Estamos em um bairro que enfrenta muito este problema. Quando o Conselho nos procurou e pediu apoio, não hesitei. Estão participando nossos alunos maiores porque esses são os multiplicadores da informação. Durante toda esta semana trabalhamos a temática com os alunos, mostrando a importância de proteger nossas crianças porque, muitas vezes, o abuso acontece dentro de casa e eles não conseguem confiar mais em nenhum adulto. A marca de um abuso sexual em uma criança é eterna, muda o destino dela. Não podemos tomar isso como algo normal, temos que empoderar e fortalecer essas crianças para que elas saibam se defender”, enfatizou a diretora da Emef, Silvana dos Santos Silva. 
Aproximadamente 100 estudantes da Emef Laonte Gama da Silva compareceram a caminhada. A aluna Larissa Regina Souza, de 13 anos, reconheceu a importância do movimento. “Essa caminhada é justamente para encorajar crianças, adolescentes e também mulheres que sofrem com abusos a denunciar. E isso não somente quando acontece com eles, mas também ajudar quem está passando por isso. Os homens têm que entender que ‘não é não’ e que uma roupa usada por uma mulher ou adolescente não quer dizer nada”, afirmou a estudante. A caminhada recebeu o apoio da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), da Guarda Municipal de Aracaju (GMA) e da Polícia Militar (PM). Escolas particulares do bairro também participaram da mobilização.
A diretora da Emef Laonte Gama da Silva conta que aderiu à causa por vivenciar, diariamente, casos no seu ambiente de trabalho. “Hoje, temos alunos que vivem em abrigos, pois seus pais perderam suas guardas por conta do abuso sexual. É algo que testemunhamos e precisamos dizer não ao silêncio. Este é o momento de trazer essa discussão, de fazer esse trabalho de mobilização para que a comunidade tenha a consciência da real dimensão e da importância do combate a esses abusos. Ao mesmo tempo, estamos ensinando aos nossos alunos o respeito ao ser humano, à vida”, ressaltou. 
A iniciativa recebeu apoio da população do Santa Maria. A manicure Antônia Josefa Alves participou da caminhada ao lado dos dois filhos, que são alunos da Emef Papa João Paulo II. “É muito importante que todo mundo tenha consciência que, hoje em dia, os abusos sexuais não acontecem somente na rua, acontece em casa também. Temos que redobrar a atenção aos nossos filhos, quando saem pra escola, quando voltam. E quando se tornam adolescentes é que me deixa mais preocupada”, comentou. 
18 de maio
O dia 18 de maio é lembrado todos os anos como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi escolhida pois, neste mesmo dia no ano de 1973, Araceli Cabrera Sanches, de 8 anos, foi drogada, estuprada e cruelmente assassinada por jovens de classe média alta no Espirito Santo. Os assassinos nunca foram punidos. A data foi instituída pela Lei Federal nº. 9.970/2000.