O Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPCD), em parceria com a Prefeitura de Aracaju, por intermédio da Secretaria Municipal da Assistência Social, promoveu, na tarde desta quinta-feira, 19, a 16ª Edição do Troféu Pipiri, com o tema “Apesar de você, o jardim há de florescer”. O evento aconteceu no auditório da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) e contou com a presença de diversas autoridades e representantes de órgãos de defesa dos direitos da pessoa com deficiência.
Nesta edição, o prêmio homenageia pessoas com deficiência que estão inseridas no mercado de trabalho e que, independente da sua formação ou área de atuação, se destacam e têm buscado contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Na oportunidade, o evento contou com a apresentação da Companhia de Dança Loucurarte.
O evento acontece na Semana da Acessibilidade, em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro. Para a secretária da Assistência Social, Rosária Rabêlo é um momento de reconhecer aqueles que trabalham para contribuir com uma Aracaju mais inclusiva.
"É um momento muito importante de reconhecimento do município sobre a importância que é discutir essa temática na sociedade, de respeito a essas pessoas que têm potencial, que são capazes de contribuir com a sociedade. É um prêmio que tem 16 anos e que vem se mantendo vivo na nossa sociedade. Portanto, é um momento ímpar, que a cada ano vem inovando nessa premiação. Muito mais do que um reconhecimento, é respeitar a inclusão, é respeitar a acessibilidade, é respeitar a cidadania para essas pessoas", destaca a secretária Rosária Rabêlo.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Catharina Menezes, destaca a importância do Prêmio Pipiri, que já se consolida como um momento de reconhecimento e valorização da luta das pessoas com deficiência, por uma sociedade mais inclusiva e com equidade de direitos.
“Foram 15 homenageados, pessoas que estão inseridas no mercado de trabalho reconhecendo o esforço e a qualificação que elas têm para estar nos seus postos e também uma reflexão para que a gente vá além da lei de cotas, para que a empregabilidade vá para além da lei de cotas. A sociedade precisa reconhecer as potencialidades das pessoas com deficiência e as empresas adaptarem os seus quadros de funcionários, estruturas físicas e tecnologias para receber as pessoas com deficiência”, explicou Catharina
Homenagens
O Prêmio homenageou profissionais de órgãos governamentais e de empresas privadas. O reconhecimento é uma forma de enaltecer a importância destes trabalhadores, para o incentivo de que mais pessoas com deficiência tenham acesso e permaneçam no mercado de trabalho.
Há 30 anos na luta pela igualdade, pela equidade e pelos direitos das pessoas com deficiência, Luiz Carlos da Silva, destaca a emoção de receber um troféu tão importante e representativo. “Nós que fazemos essa luta, ficamos gratos com um momento desse, de saber que somos reconhecidos pelo nosso trabalho diário em defesa das pessoas com deficiência. A gente vem fazendo de tudo para dar o mínimo possível para cumprimento das leis. Queremos que as pessoas entendam que a empatia e a quebra de barreiras atitudinais é fundamental para esse dia a dia da gente. Eu só tenho a agradecer ao Conselho Municipal pela indicação”, afirmou.
“Me sinto muito honrado pelo reconhecimento. É um trabalho que a gente vem desenvolvendo justamente na defesa e garantia de direitos às pessoas com deficiência, para melhorar todas as formas da condição de vida, de dignidade, de acessibilidade, de inclusão para essas pessoas, é um trabalho gratificante. Nós não fazemos nosso trabalho visando prêmios, mas, quando esses reconhecimentos chegam, a gente tem a confirmação de que estamos no caminho certo, que é assim que temos que continuar trilhando, porque a sociedade está de olho na gente. Estamos sendo vistos pelo trabalho que vem sendo desenvolvido, e isso aumenta a nossa responsabilidade”, enfatizou o presidente interventor da Associação de Pais e Amigos Excepcionais (Apae) Aracaju, Carlos Mariz.
Integrante do Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Sergipe (GACC-SE), Noélia Andrade destaca a importância de organizações e empresas para oportunizar que pessoas com deficiência possam fazer parte do quadro de funcionários. “Eu estou muito feliz com essa premiação destinada à inclusão das pessoas com deficiência. Sinto uma responsabilidade muito grande em poder representar um número gigante de pessoas e lutar pelos nossos direitos, agradecer ao Gacc que me deu a oportunidade de trabalhar nesse grupo que cuida de crianças com câncer e saio hoje com mais força e energia na luta pela igualdade de direitos”, disse Noélia.
O Prêmio
A premiação leva o nome de Pipiri em homenagem ao artista popular Humberto Santos, nascido em Penedo (AL), na década de 1930, e que veio muito cedo para Sergipe. Conhecido como Pipiri, ele possuía deficiência intelectual e, ainda jovem, foi aposentado sob a justificativa de ser "débil mental". Entrou no alcoolismo devido a todo processo de discriminação e preconceito que sofreu.
Ficou conhecido como "Boca do Inferno Sergipano", uma alusão a Gregório de Matos, pois como forma de criticar a sociedade e a política sergipana, usava a sátira em seus textos. Dedicou-se à realização de shows em praças, teatros e educandários, com apresentações de imitações e anedotas, e foi considerado o "Maluco de Deus" por crianças e adolescentes.
Dia de Luta
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela lei nº 11.133 de 2005 com o objetivo de conscientizar a população para o respeito aos direitos da PcD e o desenvolvimento de políticas públicas e meios de inclusão dessas pessoas na sociedade.
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