O projeto Ilé-Iwé encerrou nesta quinta-feira, 17, suas últimas oficinas da edição de 2024. As oficinas trabalharam teoria e prática sobre os temas ‘Máscaras’, ministrada pelas professoras Sandra Leite e Isabela Santos; ‘Abayomi’, por Lia Batista; e ‘Turbantes’, por Joluzia Viana. O intuito é que os conteúdos abordados sejam compartilhados com os estudantes, sejam eles da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio ou da Educação para Jovens e Adultos (EJA).
O encontro contou com a participação de professores e gestores de escolas municipais de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Laranjeiras, além da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura de Sergipe (Seduc). O Ilé-Iwé está em sua quarta edição e foi idealizado pela Secretaria Municipal da Educação de Aracaju (Semed) e é realizado em parceria com o Ministério Público de Sergipe (MP-SE), com a Seduc e com as secretarias municipais dos municípios citados.
O próximo encontro do projeto ocorrerá em 18 de novembro, na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Carvalho Neto, no bairro Novo Paraíso, que realiza projetos sobre a valorização da igualdade racial. Após este evento, no dia 2 de dezembro, haverá o encerramento desta edição, com evento no MP-SE.
Aprendizado na prática
Coordenadora de Políticas Educacionais da Educação de Aracaju, Analice Marinho faz um balanço positivo das oficinas realizadas, e afirma que este ano o número de encontros do Ilé-Iwé foi ampliado de quatro para seis, para que o maior objetivo desta edição fosse alcançado: o foco no trabalho em sala de aula. Ela pontua, ainda, que cada ministrante tem uma prática muito significante na área, fazendo com que os participantes se integrem e sejam mais atuantes.
"A proposta dessas oficinas é também fazermos atividades práticas. O intuito é que cada cursista explique o histórico de seu tema e o porquê da importância da valorização da cultura afro-brasileira, para que depois possam confeccionar o que está sendo proposto. Depois, os professores que participaram poderão replicar nas escolas. Ou seja, estamos preparando multiplicadores e queremos que eles promovam atividades durante todo o ano, não somente no mês de novembro, enfatiza Analice.
Professor do ensino fundamental maior na Emef Olga Benário, localizada no bairro Santos Dumont, e da EJA na Emef Sabino Ribeiro, do bairro 18 do Forte, Anderson Santos conta que se inscreveu no Ilé-Iwé porque o projeto traz um tema, segundo ele, muito sensível, devendo ser abordado com os alunos constantemente. Ele diz que irá desenvolver em sala de aula tudo que tem aprendido.
"Trabalho assuntos relacionados ao respeito às diversidades durante todo o ano letivo. Quando surge o tema nos conteúdos, sempre procuro trazê-lo para o cotidiano dos alunos, para que eles possam entender a partir de um lugar de fala. Não trabalhamos somente questões históricas, como também a importância do respeito, da empatia. E esse projeto está sendo perfeito porque nos oferta ainda mais conhecimentos. É uma iniciativa bem organizada, não é à toa que ganhou um prêmio recentemente", relata Anderson.
Professora do Infantil na Emei Dr. Fernando José Guedes Fontes, do bairro América, Ana Paula de Miranda afirma que, em 17 anos atuando na educação, tem trabalhado bastante a conscientização racial com as crianças, fazendo-as entender que a diferença na cor de pele não influencia nas potencialidades de cada um.
"Com a oficina de abayomi será bem melhor passar o conhecimento sobre a questão racial. Mesmo pequenos, os alunos entendem. Já tenho um trabalho sobre o respeito às diferenças realizado de forma lúdica, durante todo o ano, na rotina de sala de aula. Eles se identificam, dizem ‘tia, ela é da minha cor. É linda’. A rede pública trabalha esses aspectos é de muita importância. É transformador na vida das nossas crianças", explana Ana Paula.
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