A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo a necessidade de as pessoas manterem distanciamento social e, para os que podem, ficar o maior tempo possível em suas casas. No entanto, quando se trata de pessoas em situação de rua, essa medida encontra barreiras sociais, afinal, por terem as ruas da cidade como morada, essa população não teria onde se preservar da contaminação pelo vírus. 
Nesta situação, o poder público tem papel ainda mais significativo, por isso, desde o início da pandemia, a Prefeitura de Aracaju, por intermédio da Secretaria Municipal da Assistência Social, estruturou abrigos para acolher e assegurar os devidos cuidados à população em situação de rua. Atualmente, são quatro os locais em que esses cidadãos podem receber acolhida.
“Desde o começo da pandemia, atuamos com a Abordagem Social para identificar essas pessoas e orientá-las a respeito dos abrigos montados. Hoje, as pessoas em situação de rua podem contar com duas unidades fixas, que são a ‘Casa Acolher’, com capacidade para abrigar 40 pessoas, e a Migrante, que comporta até 20 pessoas; além das unidades provisórias, a Emef Freitas Brandão e o Cras Terezinha Meira, este último, no entanto, é reservado apenas para pessoas positivadas para covid-19”, pontua a secretária municipal da Assistência Social, Simone Santana. 
Além de serem identificadas pela Abordagem Social, essas pessoas são atendidas também pelo “Consultório de Rua”, estratégia desenvolvida em parceria com Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para ofertar o primeiro atendimento médico antes de serem direcionados aos abrigos.
 
Assim, aqueles que apresentarem algum tipo de sintoma gripal serão encaminhados à Rede de Atenção Básica e os que receberem resultados positivos ficam em isolamento no Cras, onde são acompanhados regularmente por uma equipe da SMS.
“O objetivo não é somente retirá-los das ruas, mas ofertar serviços que, de fato, possam cuidar de sua integridade física e psicológica, já que, nesses espaços, entre os profissionais atuantes, também contamos com psicólogos. Com a abertura econômica, alguns deles deixaram os abrigos, mas as portas seguem abertas para acolhê-los”, frisa Simone. 
Nos abrigos, os acolhidos recebem três refeições por dia: café da manhã, almoço e jantar. Além disso, são disponibilizados produtos de higiene e limpeza, como sabonetes, creme dental e escova de dentes, roupas, toalhas, lençóis, cobertores, álcool, além de colchões, assim como orientações sobre os cuidados necessários para o enfrentamento da covid-19. Tanto a alimentação quanto os produtos de higiene são frutos de uma parceria realizada com a Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (Seias).
Na amplitude do olhar, as equipes também realizam um extenso trabalho social com os abrigados, possibilitando o acesso a programas sociais e fazendo a reinserção familiar e, ainda, no mercado de trabalho.
 
"Se têm perfil de auxílio moradia ou de acesso a benefícios eventuais, orientamos sobre cadastramento para auxílio emergencial do Governo Federal, e trabalhamos aqueles que poderiam ter uma reinserção familiar. Fizemos algumas reinserções familiares tanto no Município quanto fora, em outros Estados. Outros, conseguimos reinserir no mercado de trabalho, para que possam ter maior autonomia sobre suas vidas e assim possam ressignificar sua vivência”, completa a secretária.