O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), com apoio da Secretaria Municipal da Assistência Social de Aracaju, realizou nesta terça-feira, 14, a Conferência Livre dos Direitos da Criança e do Adolescente. O evento teve como principal objetivo fomentar o debate sobre a ‘diversidade que gera a violência’, propondo a reflexão de como as políticas públicas contribuem para o processo de conscientização na sociedade. Promovida na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Presidente Vargas, o encontro reuniu pesquisadores, profissionais da Educação e Assistência Social e crianças e adolescentes das redes de ensino Fundamental e Médio.
A não aceitação da diversidade cultural, econômica ou social é um dos principais fatores que geram a violência. Entender como o mundo é diferente, diversificado, com características marcantes em cada território, para muitos pode não ser uma tarefa fácil. Isso também acontece quando o assunto é a compreensão do comportamento de cada indivíduo. Essa dificuldade de aceitar as características particulares de cada ser, região ou objeto e como a promoção das políticas públicas tem ajudado a melhorar os índices da violência foram debatidos na ocasião.
 
Para a gerente da Média Complexidade da Proteção Social Especial da Assistência Social, Lucianne Rocha, o enfrentamento desse tipo de violência gerada através da não aceitação da pluralidade é fortalecido na promoção de eventos como a Conferência Livre, que reúne o público alvo, tornando-o protagonista nas discussões. “Temos que fortalecer esse processo para, cada vez mais, termos jovens organizados na comunidade, no sentido de serem os principais a olharem e avaliarem as políticas públicas que estão sendo ofertadas na garantia do seu direito. Então, quando promovemos um encontro como esse onde conseguimos reunir crianças, adolescentes e jovens com incentivo à participação, estamos fazendo com que eles enxerguem as políticas como direitos e entendam como eles devem se posicionar na perspectiva de como enfrentar aquilo que vem como uma violação”, explica.
Segundo a presidente do CMDCA, Ulla Ribeiro, com a realização é possível compreender as demandas da sociedade e estabelecer novas políticas que favoreçam as crianças e adolescentes. “Esse espaço é fundamental para acatar as críticas, sugestões, para construção de novas ideias para serem trabalhadas a fim de gerar resultados positivos na luta contra a violência consequência do não entendimento da diversidade”, observa.
 
O estudante Edgard Azevedo, de 17 anos, é bastante participativo em sua comunidade. Ele entende o quanto é importante a geração do debate em torno dos assuntos. “A maioria de nós, adolescentes, não temos acesso a esse tipo de discussão. Com esse evento é possível abrir os olhos e entender que ninguém é diferente. Que a sociedade, por meio dos seus padrões, que estabelece isso do ser diferente. Se olharmos para os nossos corações, todos somos iguais e que não há razões para o discurso de ódio. E que o racismo, preconceito, homofobia, xenofobia é tudo desnecessário”, opina.