Desde a semana passada que diversos segmentos comerciais, a exemplo de bares, restaurantes e shoppings centers, retomaram suas atividades, amparadas por decretos emitidos pela Prefeitura de Aracaju e Governo do Estado, em virtude da diminuição do número de infecção e mortes pela covid-19. Mas a retomada não significa o fim dos cuidados com o contágio do coronavírus. Aliás, a atenção, conforme especialistas, deve ser ainda mais redobrada para evitar um efeito sanfona de transmissões. 
Na avaliação da médica infectologista da Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju (SMS), Fabrízia Tavares, é preciso adotar, de agora em diante, uma mudança de cultura e de comportamento, principalmente com relação à saúde e higienização.
“Esse retorno deve ser de forma consciente e orientada, principalmente no que concerne à mudança de comportamento. Todo o treinamento que o trabalhador teve em relação ao atendimento ao cliente, como abordar o cliente, tudo isso deve ser revisto e avaliado, principalmente as medidas de higienização. É importante que tanto os empregadores e trabalhadores tenham consciência de que o ambiente de trabalho pode ser um fomentador de transmissão. O comportamento do trabalhador pode ser também um fomentador de transmissão. O ambiente de trabalho, quanto mais aberto melhor, além de higienização frequente. O cliente também deve ser consciente. A higiene pessoal nunca esteve tão em voga. Se nós, enquanto cidadãos, tivermos consciência, teremos ainda mais diminuição de infecção”, destaca a infectologista.
Orientações
Visando orientar empregadores e trabalhadores como agir nesse retorno após parada obrigatória, a Vigilância Sanitária de Aracaju elaborou um documento, uma espécie de cartilha, com informações diversas, que estão sendo entregues nos estabelecimentos, contendo algumas medidas preventivas ao coronavírus. As medidas são baseadas em recomendações da Organização Mundial da Saúde, do próprio Ministério da Saúde, via Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
“Essas orientações são diversas e estão todas relacionadas à prevenção da transmissão. A necessidade de se evitar aglomeração é um fator crucial, então, esses estabelecimentos que permaneceram fechados nesse período e que agora estão funcionando, eles não vão poder funcionar com a sua capacidade máxima, limitada a 50%. Então, esses estabelecimentos vão precisar, inicialmente, limitar o acesso de clientes. A limitação deve ser baseada no tamanho do estabelecimento. É recomendado que seja uma pessoa a cada 10 metros quadrados. Para isso, tem algumas estratégias que podem ser utilizadas”, destaca Lucas Nogueira Santos Lyrio, farmacêutico da Vigilância Sanitária da SMS.
As estratégias citadas por Lucas compreendem a diminuição do número de vagas de estacionamento; limitação do acesso de pessoas na entrada dos estabelecimentos, visando o distanciamento mínimo de dois metros entre elas; obrigatoriedade do uso de máscaras, regra que vale também para os estabelecimentos públicos; a disponibilização do álcool em gel para que as pessoas façam a higienização das mãos.
“Além de disponibilizar álcool em gel, é preciso orientar as pessoas para que façam essa limpeza na entrada do estabelecimento, para não contaminar objetos. Nas empresas que possuem refeitórios e, consequentemente, há aglomeração de pessoas, se deve fazer um rodízio de acesso e as cadeiras devem ser demarcadas. Se o estabelecimento puder disponibilizar lavatório com água e sabão para a higienização das mãos, é ainda melhor”, destaca Lucas, ao lembrar que a utilização do álcool em gel é uma estratégia, mas que não substitui a água e sabão. “Porque, muitas vezes, as mãos têm sujidades visíveis e o álcool perde o seu efeito. Nesse sentido, o álcool deve ser utilizado quando as mãos estiverem limpas”.
Uso de máscaras
Em relação ao uso das máscaras, Lucas afirma que elas devem continuar sendo utilizadas, em todos os lugares. “Elas devem cobrir boca e nariz, sempre justa ao rosto. Não deve ser utilizada num período superior a três horas; se houver sujidade visível ou se a máscara estiver úmida, independentemente do tempo, ela deve ser substituída. O descarte dessa máscara também a gente sempre orienta que não deve ser inadequada. Quando é máscara de tecido, ela pode ser lavada e reutilizada e não pode ser compartilhada. As máscaras cirúrgicas devem ser descartadas em saco plástico”. 
Higienização do ambiente
A higienização dos espaços e superfícies de móveis e objetos também são, na avaliação do representante da Vigilância Sanitária, estratégias primordiais. “É necessário que seja feita essa higienização com maior frequência. Se possível, duas vezes por turno. Pode ser com álcool, solução com hipoclorito de sódio, outro tipo de desinfetante, mas que mantenha essa higienização, a exemplo de teclado de computador, máquina de cartão de crédito, tudo aquilo que pode ser compartilhado entre pessoas deve passar por higienização frequente. Os ambientes devem permanecer os mais ventilados possíveis. Pode utilizar climatização, mas que em tempos e tempos se abram portas e janelas para que haja a renovação do ar”, explica.
Fiscalização
Durante todo esse período de pandemia, a Vigilância Sanitária não suspendeu suas atividades de fiscalização. “Pelo contrário, o nosso serviço acabou sendo ampliado. Porque houve uma necessidade maior da Vigilância de estar nos espaços, orientando as pessoas sobre o funcionamento para aqueles que estavam em atividade, também fazendo as diversas averiguações das denúncias que nós recebemos. Agora, com a política de flexibilização, onde os estabelecimentos estão retornando as atividades, a Vigilância tem intensificado esse trabalho de fiscalização, principalmente em locais onde há aglomeração. A cada fase do decreto de flexibilização, a Vigilância intensifica suas orientações e inspeções sanitárias para tornar cada vez mais claras para às pessoas quais são as medidas adotadas”, conclui.