“No dia em que eu vir para a escola e não me sentir mais motivada, neste dia eu me aposento”. Quem conhece de perto a professora Vilma Lima, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Aírton de Andrade, sabe que o amor pela Educação a faz mover céus e terras pelo bem dos seus alunos. E este mesmo sentimento a motivou a ir, por conta própria,  até a comunidade em que seus estudantes moram para entregar a eles, pessoalmente, atividades pedagógicas.
Cerca de cinco quilômetros separam o bairro Jabotiana, local em que a Emef está situada, até o povoado Aloque, comunidade em que mora uma parte dos alunos matriculados na unidade. Para Vilma, a iniciativa foi necessária para que nenhum dos seus estudantes fosse prejudicado com a suspensão das aulas presenciais, devido o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus.

“Nós disponibilizamos as atividades impressas para que os pais e responsáveis pegassem na escola, mas eu já sabia que boa parte não iria e, se eu ficasse esperando, nós não conseguiríamos atingir o percentual esperado de aprendizagem dos alunos. Mandei áudio por Whatsapp avisando o horário e local que estaria, peguei estrada de chão, tangi bois no caminho, fiquei embaixo de sol esperando os pais e o resultado é que, dos 40 alunos da escola que moram na comunidade, consegui entregar as atividades para 35”, conta Vilma.

Após a entrega destas atividades, os alunos são monitorados pelos professores através do Whatsapp.  Depois de duas semanas, esses exercícios são recolhidos e outros são entregues, novamente. “É a escola que tem que ir atrás dos alunos mesmo. E foi muito bom ver como os pais se sentiram importantes, com a escola indo até eles. E muitos pais, avós, tios mostravam orgulhosos as atividades respondidas pelas crianças. Isso é gratificante”, comemora Vilma.

A diarista Maria de Menezes é uma das mães que se sentem agradecidas à diretora pela iniciativa. “Gostei muito do que ela fez. Nós moramos em um lugar em que é difícil para se locomover para outros bairros e foi uma atitude muito bonita trazer o dever das crianças até nós. Não é a mesma coisa que estudar na escola, mas devido ao momento em que estamos vivendo, é necessário”, elogia Maria.

A dona de casa Silvanete de Araújo, mãe de um aluno da Educação Infantil, também elogiou a iniciativa da diretora. “Gostei muito dela ter vindo aqui entregar os materiais. Nunca nenhuma outra professora fez isso. Facilitou a vida da gente, que está estudando em casa com os filhos, e não temos que nos deslocar até outro bairro para buscar as atividades”, comenta Silvanete.

 
O carpinteiro Felipe Matheus Santana também comemorou a iniciativa de Vilma. "Veio em boa hora, estávamos preocupados com o aprendizado das crianças e ela ter vindo aqui facilitou bastante", comenta.
 
“Quando as atividades presenciais pararam bruscamente, fiquei em casa matutando, pensando no que fazer. Comecei a ligar para os pais, pedindo para eles gravarem vídeos das crianças e nos mandarem. Depois, passei essa missão também para os professores, para que esse contato entre professor e aluno não fosse perdido. Mesmo com esse vírus, o nosso compromisso com a Educação não parou. Tanto os pais quanto os alunos estavam se sentindo órfãos e isso deu um ânimo a mais para eles. A vida continua e se nos foi dada esta nova forma de trabalhar, então precisamos nos adaptar e fazer a diferença, para que os menos favorecidos não sejam prejudicados”, finaliza Vilma.