A Biblioteca Municipal Ivone de Menezes Vieira, unidade da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (Funcaju) da Prefeitura de Aracaju, desenvolveu atividades ontem e hoje, quinta e sexta-feira, como forma de divulgar, celebrar e fomentar discussões valorizando a cultura e os costumes indígenas. O resultado do trabalho ficará em exposição até o próximo dia 2 de maio.

Na quinta-feira a palestra ´Índio em Sergipe´, proferida pela estudante de Pedagogia Íris Flaviane, abriu a programação especial em celebração ao Dia do Índio. Em seguida, Íris ministrou a oficina de artesanato e adereços indígenas, direcionada a meninos e meninas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e estudantes do Colégio Estadual Professor Francisco Portugal.

Na oficina, as crianças confeccionaram as suas próprias fantasias de índio, como cocar, além de pintarem o rosto. Segundo Íris, as oficinas serviram de entretenimento e conhecimento cultural, contribuindo com o universo lúdico infantil. "Este evento simboliza uma troca de experiências e não somente um divertimento, além de termos feito a programação durante o contra-turno escolar", ressalta.

Já no período da tarde, além da oficina de artesanatos e adereços indígenas, ministrada por Lucivanda Maria Lima, pedagoga da Biblioteca, aconteceu a apresentação especial do grupo indígena Cariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL), que mostraram a sua cultura através de danças típicas, interagindo com as crianças presentes.

Já à noite, na sala de leitura da Biblioteca, foi aberta a exposição ´Aspectos da Cultura Tupinambá´ com a curadoria do professor Francisco José, doutor e historiador da Universidade Federal de Sergipe (UFS). A exposição mostra a cultura da tribo Tupinambá através de 25 gravuras retratando as diversas facetas da vida dessa comunidade indígena nos séculos XVI e XVII; uma tribo que habitou o litoral brasileiro da Paraíba até o Rio de Janeiro.

Para a diretora da Biblioteca, Maria José, a exposição marca a programação em homenagem ao índio. "A população aracajuana está convidada a conhecer um pouco sobre a vida dos Tupinambás, que habitou o litoral de Sergipe, nesta exposição que prossegue até o dia 2 de maio", acrescenta.

Segundo Adelson Aquino, professor do Colégio Estadual Professor Francisco Portugal, a exposição é muito interessante, porque deu dinâmica a Biblioteca. "A leitura não fica monótona, isso faz com que as pessoas freqüentem mais a Ivone de Menezes não só para pesquisas, como também para ver a exposição que representa um retrato dessas tradições que carregamos", relata.

Hoje, sexta-feira, a programação contou com a contação de histórias infantis de Monteiro Lobato, incluindo o sorteio de livros. O saudoso autor da literatura infantil, homenageado na abertura do espaço ´Saiba Mais´, teve sua vida e obra em exposição alusiva ao Dia Nacional do Livro Infantil. O espaço irá destacar mensalmente uma temática alusiva às datas comemorativas daquele mês, por meio de pesquisas, biografias, fotografias, obra e vida de cada autor.

Segundo a diretora da Biblioteca, Maria José, este espaço será mais um projeto a se somar à mesma e todas as atividades desenvolvidas são de fundamental importância para a sociedade. "As atividades são ligadas ao calendário cultural brasileiro. Assim, nessa época, trazemos a comunidade para conhecer mais profundamente a cultura do nosso país. No mês de maio, por exemplo, o espaço será destinado à escravidão no Brasil", informa.

Dia Nacional do Livro Infantil

O Dia Nacional do Livro Infantil foi instituído pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e é comemorado anualmente no dia 18 de abril, data natalícia do escritor Monteiro Lobato, sob a lei n° 10.402 de 8 de janeiro de 2002.

José Bento Monteiro Lobato, nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté, no Vale do Paraíba. Estreou no mundo das letras com pequenos contos para os jornais estudantis dos colégios Kennedy e Paulista. Viveu um tempo como fazendeiro, foi editor de sucesso, mas foi como escritor infantil que Lobato despertou para o mundo em 1917.

Escreveu, nesse período, sua primeira história infantil, ´A menina do Narizinho Arrebitado´, com capa e desenhos de Voltolino, famoso ilustrador da época. O livro, lançado no Natal de 1920, fez o maior sucesso. A partir daí, nasceram outros episódios, tendo sempre como personagens Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, Tia Anastácia e, é claro, Emília, a boneca de pano.

Monteiro Lobato morreu aos 66 anos de idade, deixando uma imensa obra para crianças, jovens e adultos e o exemplo de quem passou a existência sob a marca do inconformismo.