Para os seis mil competidores inscritos na 38ª edição da Corrida Cidade de Aracaju, evento organizado pela Prefeitura de Aracaju, em alusão ao aniversário de 168 anos da capital, ultrapassar barreiras e celebrar a própria conquista não significam apenas estar entre os primeiros colocados. Para além do pódio, o sentimento de orgulho e a sensação de dever cumprido são facilmente notados naqueles que não tiram do rosto um sorriso largo que representa uma única vitória: cruzar a linha de chegada. 
Foi assim para a corredora Andreza Lobão, que mesmo acumulando experiências em edições anteriores da mesma corrida, este ano decidiu pelos 24 km, fora da categoria voltada a Pessoas com Deficiência (PcD), na qual costumava competir. Com desafio concluído nos minutos finais da competição, a professora de 46 anos relembra com orgulho e olhos cheios de lágrimas cada obstáculo vencido ao longo de sua trajetória. 
“O sentimento é de superação pelos meus primeiros 24 km. Senti muita dor faltando sete quilômetros, continuei sentindo câimbra de lá até cá, com muitas pessoas me ajudando pelo caminho. No fim, encontrei as amigas e viemos de mãos dadas até o final. Então é, realmente, muita emoção, que só quem corre, sabe. Isso aqui nunca vai ser só uma corrida e, ano que vem, estarei presente de novo”, explica aos prantos enquanto segue para comemorar junto aos familiares. 
O funcionário público Robson Luiz Souza, de 49 anos, participa pela terceira vez e, nesta edição, celebra a conquista de terminar o maior percurso da prova. Ao lado da filha, ele não esconde a felicidade e comenta que o resultado alcançado é fruto também do apoio incondicional recebido de familiares, amigos, assim como da própria torcida presente no evento. 
“Isso pra mim é uma grande realização. Tem 7 anos que comecei a correr, com o objetivo de concluir essa prova, que sempre foi um sonho. Bati na trave algumas vezes, corri os 5 km e 10 km, depois veio a pandemia onde consegui me preparar e, graças a Deus, consegui. Chegar aqui e encontrar a família toda é uma coisa que emociona e por isso digo que vale a pena se dedicar. A torcida também é maravilhosa, você vem o caminho inteiro com o pessoal te incentivando e lhe dando forças, pois tem momentos em que você pensa em desistir, mas daí logo consegue recuperar o espírito para continuar”, declara. 
Do início ao fim da corrida, o ritmo alinhado e o passo certo levaram os competidores a uma conclusão de prova que se resumiu em conquistas das mais diferentes formas. Seja na melhoria do condicionamento físico ou mesmo na manutenção de hábitos saudáveis, são muitos os ganhos comemorados por pessoas como Wesley Viana, que fez da linha de chegada seu único e essencial objetivo. 
“O importante sempre é participar e cuidar da nossa saúde, eu acho isso fundamental. A gente sabe bem o que passamos com essa pandemia e vimos a importância de cuidar da saúde, alimentação e, claro, da atividade física”, comenta o analista de TI de 38 anos. 
Durante todo o momento que seguia rumo ao ponto de chegada da prova, ‘não desistir’ era a frase que ecoava na cabeça de João Santos Sobrinho. Mesmo enfrentando problemas durante o trajeto, para este aposentado de 56 anos parar não estava entre as opções, uma vez que treinou com foco e concentração para um de seus momentos mais aguardados. 
“Esse é meu segundo ano e sempre foi um sonho fazer parte dessa competição. Já próximo do final, depois de todo aquele glamour, as câimbras vieram nas duas pernas e, com isso, precisei parar e esperar as equipes médicas, que aliás eu aproveito para parabenizar pela forma como me atenderam. Agora, eu tô aqui pra fechar esse percurso e receber a medalha de participação que, pra mim, é tudo. Estou muito agradecido e no desejo de que esse evento continue sempre em evidência para que mais pessoas possam participar”, registra João.