Após dois anos sem que a Corrida Cidade de Aracaju pudesse ser realizada em virtude da pandemia da covid-19, a espera finalmente acabou. No próximo dia 26 de março, a Prefeitura de Aracaju realizará a 37ª edição da prova, que é uma das dez mais difíceis de se competir em todo o país.
 
Este ano, 5.000 corredores, de várias gerações, vão participar da prova e há uma semelhança entre praticamente todos eles: a superação e a transformação de suas vidas através dessa prática esportiva.
 
Correr por lazer, para competir ou para desafiar os limites do corpo é uma etapa que ocorre após todo um processo de treino iniciado a partir do momento que cada um dos atletas tomou a iniciativa de começar a correr.
 
Para perder peso, ou amenizar sintomas de ansiedade, a corrida tem se tornado uma prática recorrente em diversos lugares e através da Corrida Cidade de Aracaju a Prefeitura incentiva que cada vez mais pessoas façam adesão a esta prática esportiva tão importante para a promoção da saúde.

Corrida e superação
O advogado Isac Lins, de 33 anos, chega a correr três vezes na semana, percorrendo até 50 km, e entre os anos de 2020 e 2021 conseguiu perder 30 kg. Antes desse período ele já corria, mas por conta da rotina de trabalho havia deixado de lado o tempo de dedicação para o esporte. Após esse período de muito treino e prática, o advogado assumiu estar ansioso para participar desta edição da Corrida Cidade de Aracaju e testar mais uma vez seus limites.

“Eu estou bastante ansioso e querendo me superar nessa corrida, conseguir  finalizar ela. Desde que comecei, a corrida tem mudado minha vida. A primeira mudança, que eu considero de maior relevância, é na rotina diária, pois a gente meio que acaba mudando tudo. Dorme mais cedo, acorda mais cedo, come diferente, a gente passa a ter hábitos que, no geral, são diferentes do que tínhamos antes. Hoje eu vejo que isso tem melhorado minha qualidade de vida. Hoje eu me sinto apto a fazer coisas que antigamente eu não conseguia fazer”, disse.

Mesmo que a corrida inspire o espírito competidor, para Isac, seu principal adversário será ele mesmo, pois os 24 km entre São Cristóvão e Aracaju que devem ser percorridos será uma questão de superação para a qual ele tem treinado ao longo desse tempo.
 
“Pra falar a verdade, nessa corrida eu quero concorrer comigo mesmo. Vai ser aquela questão da superação, já que tem o medo de não conseguir finalizar a prova. Eu não sou muito da vibe de competição, mas claro que ganhar é meio que uma consequência e todo mundo gosta, né? Mas o meu objetivo principal é a superação pessoal mesmo”.

Para correr não tem idade

Há quem acredite que para correr é necessário ter uma idade com que se possa contar com o rigor da juventude, ou a prática desse esporte se torna inviável, mas longe desse pensamento está a senhora Ivonete Coimbra.
 
Ela tem 70 anos e vai participar, pela segunda vez, da Corrida Cidade de Aracaju. Toda segunda, quarta e sexta-feira ela pratica o esporte e às vezes também aos domingos, quando seu grupo faz corridas especiais. A primeira vez que participou da prova ela fez o percurso de 5 km, mas desta vez garante que vai se superar e completar os 10 km.

“A minha expectativa era de conseguir correr todo o percurso em menos de uma hora, mas não estou conseguindo. Só completo em torno de uma hora e dez minutos”, reclamou e em seguida disse como se sente quando está correndo. “Dá uma satisfação na gente, sabe. Quando não posso correr, porque às vezes tenho algum contratempo de saúde, a gente fica mais doente. Eu só me sinto bem se estiver na rua correndo, sentindo a satisfação de viver, de dizer, estou viva e estou sendo útil, que estou com a saúde perfeita”.

Dona Ivone participa do mesmo clube de corrida que Selma Custódia faz parte e as duas firmaram amizade através do esporte. Com 61 anos, Selma tomou gosto pela corrida na academia de ginástica, enquanto praticava na esteira. Após ser observada por seu instrutor, ele sugeriu a corrida de rua. Ela ingressou em um clube, pratica o esporte há dez anos e desde 2015 participou de todas as edições da Corrida Cidade de Aracaju.

“Esse ano eu estou mais leve, emagreci dez quilos que eu havia engordado com a pandemia. Então eu relaxei muito, mas se Deus permitir irei para a São Silvestre. Agora, a Corrida Cidade de Aracaju é uma festa, sabe. É na minha cidade, no lugar onde eu nasci e como é um evento que reúne muita gente, é aquela festa, aquela energia boa. Tem coisa melhor?”, questionou risonha.