Superar um vício adquirido ainda na juventude e que chegou à fase adulta e prejudica a saúde. Foi o que a professora Daiane Tarrago fez ao abandonar o vício em cigarro. A sua jornada não foi simples, e ela conta que graças à corrida conseguiu mudar a própria vida. Gaúcha e filha de tabagistas, ela conviveu com o cigarro desde pequena, tendo iniciado o vício aos 15 anos de idade.

Hoje, aos 41 anos, Daiane já está há dois anos sem fumar, e só encontrou forças para abandonar o vício por meio da prática da corrida. Um dos motivos que a despertou para a necessidade de parar com o cigarro foi o fato de ter perdido muitos momentos do seu bebê, como quando ele começou a caminhar os primeiros passos. Nessas ocasiões ela estava justamente fumando em um local mais afastado da casa. Outro motivo foi ter vivenciado o pânico das pessoas em função da pandemia da covid-19.

“Eu lembrava que tinha gente na UTI tentando respirar e eu, sem covid, estava fumando, me matando sozinha. Só que o vício do cigarro é muito pesado e acho que as pessoas precisam compreender isso. Quem tem um fumante na família precisa ter paciência com ele. É uma droga pesadíssima e é lícita. Hoje temos algo que é pior ainda, que é o cigarro eletrônico, algo totalmente desconhecido, que não tem cheiro, e que virou uma moda negativa”, observa.

História com a Corrida
Quando Daiane decidiu parar de fumar, já chegando aos 40 anos, ela tinha medo de engordar. Então pediu ajuda a um amigo, que é educador físico, e começou a treinar nos lagos da Orla da Atalaia. O marido dela, o advogado Cristiano Barreto, também aderiu à modalidade para apoiar a esposa. Ela conta que a cada treino ia se superando um pouco mais, teve uma rápida evolução e chegou a chorar de felicidade ao correr 5 km pela primeira vez.

“Eu acho que a corrida transformou a nossa família, mudou a minha vida, me trouxe amigos. Nós não somos daqui [de Aracaju], meu esposo é baiano, eu sou gaúcha. E hoje a gente tem muitos amigos através da corrida. Eu acho que é um orgulho danado ver que eu, que fumei tanto, hoje posso ser um exemplo para outras pessoas”, afirma Daiane, que sempre aconselha pequenas mudanças nos hábitos de vida, como beber bastante água, largar o álcool e o café por um tempo, pois essas bebidas são gatilhos para quem é fumante.

Daiane nunca subiu ao pódio em competições esportivas, mas para ela o importante foi ter parado de fumar e ter se superado cada vez mais. Na Corrida Cidade de Aracaju, a professora correu 10 km no ano passado, e desta vez vai encarar os 24 km. O ritmo de treinos já está avançado, pois ela também participará de uma maratona no mês de junho. “Essa é a corrida mais tradicional de Aracaju. E eu fiquei impressionada porque as pessoas de fora conhecem também. Essa edição vai ser um marco. É uma competição democrática, acessível para as pessoas. Essa prova mexe com as pessoas, a gente vê muita  gente com a cadeira nas calçadas nos cumprimentando”, disse.

Ela também criou uma conta no Instagram (Corrida Sem Fumaça), na qual mostra para os seus seguidores os seus treinos, resultados, e incentiva outras pessoas a correr.

Menos 60 quilos
A prática da corrida foi o ponto de partida na transformação de vida do designer gráfico Luiz Guztavo Santana Menezes, 34. Há alguns anos, ele estava pesando quase 165 quilos e com problemas de saúde típicos do sobrepeso. Começou a correr há dois anos e agora, pela segunda vez consecutiva, vai participar da Corrida Cidade de Aracaju, no percurso de 24 km.

Luiz Guztavo conta que o processo de emagrecimento foi uma “virada de chave”. “Eu fui atleta quase a juventude toda, depois parei e comecei a engordar desordenadamente. Já estava com colesterol alto, a saúde debilitada e muito apático. Mas em um ano eu consegui perder cerca de 60 quilos só com a corrida e a reeducação alimentar. Eu diria que a melhora na minha vida foi de mais de 100%”, declarou ele, que atualmente treina todos os dias, de domingo a domingo.

Hoje em dia, chegar ao pódio não é uma preocupação para Luiz Guztavo, nem mesmo a questão da saúde física. “A corrida hoje me deixa muito melhor psicologicamente do que fisicamente. É uma questão de superação. Para mim, agora, os 24 km é uma questão de desafio mesmo, para uma corrida que eu sempre achei muito linda. A Corrida Cidade de Aracaju, desde a minha juventude, eu venho acompanhando. O esporte é vida, e temos que trazer cada vez mais pessoas, incentivar todo mundo a participar”, afirmou.

A 38ª edição da Corrida Cidade de Aracaju será realizada no próximo sábado, dia 18, em comemoração aos 168 anos de fundação da cidade. Neste ano, a competição chegou à marca recorde de 6.000 inscritos, o que representa um aumento de cerca de 240% nos últimos sete anos.