O Bloco Afro Quilombo, que desfilou no último dia de carnaval, encerramento das festividades momescas da capital, foi sinônimo de muito samba-reggae, swing e baianidade à moda sergipana, representando a beleza negra na dança, na vestimenta, na música e na mistura de ritmos pelo bairro do Santo Antônio.
A maior concentração do bloco foi na orlinha do bairro Industrial, com mais de 300 pessoas que continuaram a acompanhá-lo ao som da banda de reggae Quilombo. O Prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, e a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (Funcaju), Lucimara Passos, foliões de carteirinha, dançaram e cantaram em cima do trio.
A festa ainda contou com a presença do Rei Momo, Adalberto das Neves Santos Filho, e da Rainha do Carnaval 2008, Sandra Lessa de Menezes, que mostraram a alegria e a simpatia da beleza negra, abrilhantando o último dia do Carnaval de Todos, que deixou saudades nos aracajuanos e turistas que abraçaram de corpo e alma a festa. Foi um carnaval seguro, democrático, organizado, definitivamente, de paz e amor.
No bloco, os dançarinos fizeram a diferença na avenida e jogaram até pétalas de rosa para a multidão que o acompanhava. Cirurgia, Getúlio Vargas, Coqueiral, Japãozinho, América, Industrial e Santo Antônio foram os bairros que fazem parte da comunidade Afro Quilombo representada no desfile.
A Presidente Lucimara Passos agradeceu ao povo aracajuano e aos turistas que prestigiaram o Carnaval de Todos. "A minha mensagem é que finalmente Aracaju tem de volta o seu carnaval. A sensação nossa, da equipe responsável pelo evento, é de que trabalhamos muito nessa reconstrução sendo mais um evento de sucesso e plena realização. O carnaval de Aracaju se consolida, esse ano, com este belo carnaval de rua que engloba a todos. É grande a minha satisfação em ter participado dessa grande festa", ressaltou Lucimara.
Já o Prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, afirmou estar muito feliz de ter vivido o carnaval de resgate junto com o povo aracajuano. "Estou muito feliz de ter participado e o povo também compartilha da mesma alegria. Aracaju necessitava desse resgate e no próximo ano teremos novidades", frisou.
Foliões
Cleonaldo dos Santos, folião que saiu pela segunda vez no bloco Afro Quilombo, estava com a fantasia intitulada `O Conto da África´ e mostrou todo o seu gingado na frente do trio. Seu amigo Jeovane de Oliveira Santos, ou Rita Cadilac, como é mais conhecido, desfilou como `Deusa, Rainha África´. Amantes do carnaval, ambos foram destaques que brilharam na avenida.
"Achei esse novo formato do carnaval muito bom. Tanto o Governo, quanto a Prefeitura, estão de parabéns por terem aberto espaço para cada aracajuano viver a alegria do carnaval sem violência. Eu sempre tive uma paixão pelo Afro Quilombo e apesar de todas as dificuldades do negro não somente em Sergipe, esse é um bloco que abre espaço sempre a todos aqueles que querem participar não somente no carnaval, mas o ano todo. Essa minha fantasia é em homenagem ao meu grande amigo e a todos aqueles que foram assassinados", ressalva Cleonaldo.
A aposentada Pureza Nascimento, residente do bairro Santo Antônio há 10 anos, pôde conferir o bloco passar na comodidade da porta da sua casa. "Essa idéia foi excelente, além de ter sido uma mudança total, porque antes era ali no Mercado, feito isoladamente. Adorei o bloco ter passado aqui na avenida João Ribeiro. Esse ano o Carnaval foi de todos mesmo e o Bloco Afro Quilombo é sinônimo de elegância", comenta.
Marta Kubertino Santos, que reside há 20 anos nesse mesmo bairro, achou ótimo o carnaval de Aracaju, porque este ano foi muito mais animado. "Agora é todo mundo brincando, todo mundo pulando e participando. O Afro Quilombo é lindo e maravilhoso", declara.
Outra foliã, dessa vez na Orlinha do bairro Industrial, foi Abigail Santos do bairro Industrial, que acompanhou o bloco pela segunda vez com uma fantasia assinada por ela mesma, cheia de adereços como bolsa, colares, camisa do bloco, saia, sapatilha de bailarina e até chapéu de marinheiro.
Bloco Afro Quilombo
O Bloco Afro Quilombo, com 21 anos de existência, foi fundado por Irivan de Assis, com a proposta de preservar a cultura afro-brasileira sergipana, que mostrou sua força e toda a sua representatividade cultural na avenida.
A grande novidade deste ano foi o ritmo afro-elétrico, além da volta do trio elétrico, que não existia no bloco desde 1975. São 25 percussionistas, 50 bailarinos e 1.500 componentes os integrantes do Bloco Afro Quilombo.
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