A Prefeitura de Aracaju, através da Defesa Civil, órgão que integra a Secretaria Municipal da Defesa Social e Cidadania (Semdec), busca investir na melhoria das contenções de risco na cidade e no avanço na resiliência da capital. Por isso, para firmar o compromisso em levar o melhor à população, a gestão municipal implementou, a partir de 2017, os Núcleos de Proteção e Defesa Civil da Comunidade (Nupdecs), que são formados por aracajuanos voluntários das zonas de maior risco mapeadas pelo órgão. Desse modo, os cidadão ficam mais próximos da Defesa Civil. 

A proposta de criar núcleos comunitários nos bairros que apresentavam maiores riscos tanto de inundações, quanto de alagamentos e deslizamentos de terra, visa justamente aproximar a gestão desses locais através do olhar dos cidadãos. As ações são desenvolvidas nos bairros Santa Maria, Bairro Industrial, Soledade, Porto Dantas, Jabotiana, Bairro América, Cidade Nova, Zona Sul -antiga Zona de Expansão- . Assim, 10 grupos foram formados e capacitados pela Defesa Civil, desde 2017, para atuar como multiplicadores de boas práticas junto aos moradores desses locais. Além  disso, houve a criação do Núcleo Técnico de Defesa Civil, formado junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA/SE) e Nupdec Área PEC, no bairro Atalaia. 

Os membros dos grupos, que estabelecem conexão entre a comunidade e o órgão municipal, são importantes colaboradores para a observação de possíveis riscos e rápida articulação com os órgãos da gestão municipal. O núcleo busca envolver a comunidade na gestão de riscos e emergências, oferecendo suporte técnico, treinamento e orientação para a criação de planos locais de contingência e resposta.

O coordenador da Defesa Civil de Aracaju, Robson Rabelo, indica que o órgão realiza esse trabalho de forma notável e pioneira no quesito da metodologia aplicada para a capacitação dos voluntários, a qual é feita de modo específico. Além disso,o trabalho busca incentivar os cidadãos a continuarem na atuação conjunta com a gestão com mais longevidade. 

“Implementamos atividades para que os voluntários fiquem interessados em continuar o trabalho. Essas atividades consistem em encontros dos núcleos comunitários e cursos que nós indicamos para que eles possam realizar os serviços de modo mais capacitado. Tudo isso fomenta ainda mais essa ação de ser voluntário. Isso faz com que Aracaju, hoje, chegue nesse patamar de ser uma cidade mais resiliente. Além do trabalho que fazemos nas contenções de riscos, mantemos esse canal de comunicação com a população de forma eficaz e com respostas que trazem soluções para o que aquele bairro precisa”, explica o coordenador. 

Voluntários

A partir desse trabalho planejado e executado de forma eficaz pela Defesa Civil, o voluntariado realizado pelas comunidades através dos Nupdecs, amplia as formas de mitigação dos transtornos nas áreas de risco. Esse é um serviço que não só aproxima o órgão da população, mas também proporciona que os moradores tenham um novo olhar e zelo pelo bairro onde vivem. Como é o caso de André Oliveira, de 37 anos, agente socioeducativo, que mora no bairro Jabotiana há 13 anos.

André está há um ano como voluntário no Nupdec e afirma que participar dessa ação o fez mudar o olhar para dentro da própria comunidade. Para o aracajuano, o trabalho faz toda a diferença para que os problemas das áreas de riscos sejam mitigados, e também reforça que a agilidade de resposta da Defesa Civil é fundamental para a efetividade do serviço.

“O que mais me impressiona é a agilidade não só de nos responder, mas de resolver a situação. Se os Nupdecs não tivessem resultado eu não faria parte, mas o trabalho constante da Defesa Civil e ver resultados no meu bairro faz a gente querer continuar. Eu vi que eles são mesmo focados em solucionar, em estar junto da gente”, comentou. 

O também morador do bairro Jabotiana e membro do Nupedec, Edilson Honório dos Santos, de 44 anos, tem o voluntariado como uma ação norteadora. Ele começou a viver na região há 7 anos e se deparou com alguns transtornos em épocas chuvosas, e foi a partir dessa inquietação que Edilson procurou a Defesa Civil e assim foi apresentado ao Nupdec , do qual faz parte há pouco mais de um ano. 

“Como eu gosto muito dessa questão do voluntariado, entrei em contato com a Defesa Civil para saber o que a gente da comunidade podia fazer em relação a esses problemas que as chuvas trazem nos períodos mais críticos e fui apresentado ao Nupdec. Esse é um trabalho que pode contribuir muito para a vida coletiva, não basta só cobrar dos órgãos públicos, temos que ser ativos na nossa cidade e para mim é muito gratificante fazer parte disso”, pontuou 

Edilson conta ainda que perceber o trabalho voluntário como uma resposta imediata e comprometida da Prefeitura, através da Defesa Civil, assegura o sentimento de que fazer parte do núcleo comunitário vale a pena. “A Defesa Civil não tem como estar em todos os pontos da cidade, mas isso não impediu que eles buscassem um meio de estar o máximo possível presente em nossos bairros, então eu vejo hoje a situação do bairro Jabotiana e posso afirmar que estamos muito melhor do que quando cheguei aqui, a diferença é notável, e o trabalho deles em conjunto conosco é o que faz essa diferença”, salientou.  

Os voluntários são capacitados para poder identificar os pontos de risco dentro dos bairros e assim acionar a Defesa Civil para averiguar a situação. Ao final da capacitação, recebem um certificado. Raimundo Vieira, de 64 anos, morador do bairro Areia Branca há 32 anos, foi afetado pelas enchentes de 2010 e hoje participa do Nupdec como fiscalizador das áreas de risco. Para ele, que já sofreu com as ações da natureza, essa iniciativa da Prefeitura é eficaz, sobretudo, para que ele não sofra mais nos períodos chuvosos.

Depois da implementação dos Nupdecs, Raimundo afirma que vê, de fato, a realidade transformada, e hoje pode assegurar que vive com mais tranquilidade no local. “Eu moro em uma área muito baixa, então esse trabalho que a Prefeitura faz é muito importante. Eu sempre estou de olho no que acontece aqui no bairro, se tem alguém aterrando o lago, ou qualquer outra irregularidade que eu verifique que possam estar fazendo aqui na comunidade, e assim que eu entro em contato com a Defesa Civil eles dão a resposta. Então é um trabalho muito bom para a gente, porque podemos participar, construímos esse olhar diferenciado para dentro de onde moramos e vemos de perto o trabalho da Prefeitura, que faz por onde chegarmos a essa segurança que temos hoje”, contou.