Por João Camilo

Enquanto muitos forrozeiros se divertem ao som das bandas escaladas na programação do Forró Caju 2012, outra parcela trabalha incansavelmente recolhendo as latinhas de alumínio despejadas pela multidão ao longo da praça de Eventos Hilton Lopes e adjacências. Além de contribuírem com o processo de reciclagem dos materiais, os catadores garantem uma rentabilidade que, embora se encerre junto ao término do evento, por vezes representa o alimento que chega à mesa dos seus familiares.

Iniciado no Pré-Caju 2012, o projeto ‘Sou Catador’ foi desenvolvido pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) para organizar o trabalho realizado pelos catadores em eventos desse porte. “A gente faz um cadastro ao mesmo tempo para padronizar e proteger os catadores, oferecendo um kit com luvas, camisas e sacos plásticos”, contou a assistente social Sônia Cristina, coordenadora do espaço no Forró Caju 2012.

Além do material de identificação, um ponto de apoio para que eles pudessem armazenar o material recolhido durante os dias do festejo junino foi montado no local. “Quando a noite é boa, recolho mais de 60 latinhas, mas depende muito de cada dia. A gente trabalha porque acaba sendo um serviço que ajuda muito e depois vê se tem como se divertir um pouco também”, disse o catador Cícero Macário.

Há mais de seis anos envolvida nesse trabalho, a catadora Maria José Santos conta que a renda obtida nos dias de Forró Caju garante o pagamento das contas da casa e o sustento da sua família. “O dinheiro que eu ganho catando latinha pelo menos dá para comprar comida, pagar conta de luz e energia. Já vendo para um comprador fixo que tem o preço certo dos sacos. Eu recolho de sete a oito cheios por noite, e cada um, vale mais ou menos R$ 9,00. Dá pra alcançar até R$ 120,00 numa noite boa, e no final da festa é um lucro que vale à pena”, explicou a catadora que está prestes a completar 60 anos.