A utilização da Unidade de Resposta Rápida (URR) da Prefeitura de Aracaju na rotina de avaliação, busca e acompanhamento de pacientes com suspeita de dengue e com exames alterados é uma das experiências de maior êxito do Sistema Único de Saúde (SUS) no Norte e Nordeste brasileiro. Na maior parte dessas regiões, a URR continua atuando apenas para notificar e dar respostas rápidas a agravos inusitados, como a gripe aviária e a entrada de vírus não conhecidos pela sociedade científica. Em Aracaju, em 2008 e este ano, não houve nenhum caso de morte de pacientes com dengue que foram procurados nas residências e monitorados pelas equipes da URR.

A constatação foi feita pelos 14 plantonistas e técnicos da gestão da Vigilância em Saúde de Aracaju, durante a Oficina Técnica da URR, realizada esta semana no auditório do CEPS/CEREST. A atividade faz parte do cronograma das equipes da URR para 2009. O encontro científico é realizado quinzenalmente para qualificar e capacitar esses profissionais. A próxima reunião está agendada para o dia 10 de março e o tema central será "Vigilância de surto"

O infectologista e coordenador do Núcleo de Doenças Transmissíveis do Estado de Sergipe, Marco Aurélio Goes, foi um dos palestrantes convidados para a oficina. Ele fez uma avaliação positiva da atuação das equipes da URR de Aracaju. "Com a URR na rotina de ação estratégica contra a dengue, o SUS de Aracaju sem pôde garantir uma intervenção mais eficaz e mais precoce na abordagem da fisiopatologia e aspectos clínicos da dengue e dengue hemorrágica", disse.

Uma das plantonistas da URR e coordenadora da Vigilância em Saúde da PMA, Tânia Santos, destacou que em Aracaju não houve registro de nenhum caso de óbito de pacientes por dengue que passaram pelo monitoramento da URR. Segundo ela, o sistema da URR no Brasil foi idealizado cumprindo a exigência internacional em atender agravos inusitados. "Com essa missãoa URR foi instalada em Aracaju no ano de 2007. Mas, no ano passado, durante a epidemia da dengue, o SUS de Aracaju otimizou e inovou a estrutura física e recursos humanos da URR integrando essa estrutura às estratégias de atendimento a pacientes com sinais de alerta e com exames alterados. O nosso objetivo foi dar resposta na redução da morbidade e mortalidade da dengue", contou.

Procedimento

As equipes da URR atuam em esquema de plantão semanal, durante todos os dias do ano à noite, durante a semana e nos finais de semana 24h. A ação desses profissionais é avaliar os resultados de exames de hemograma, que são realizados durante o dia em todas as 43 Unidades de Saúde da Família (USF). Quando o resultado apresenta alteração, os plantonistas saem em uma viatura da URR e vão à busca do paciente. Na residência, o profissional entrega o exame alterado e verifica a presença de  sinais de alarme no paciente. Caso ele apresente determinados sintomas, a mesma viatura encaminha o paciente para as urgências dos hospitais municipais Nestor Piva e Fernando Franco ou ainda para o HUSE.

Revisão coletiva

A coordenadora do Programa Municipal de Dengue, Taise Cavalcante, destacou a importância da Oficina para os plantonistas da URR. "O encontro que reuniu esses plantonistas foi de grande importância, em especial neste momento, em que há possibilidade de aumento de casos de dengue. Nosso objetivo é manter a ação de controle da dengue e ao lado disso revisarmos práticas de forma permanente para potencializar a ação do profissional do SUS nesta batalha", avaliou.

Taise Cavalcante reforçou ainda a importância de espaços para debates científicos no SUS. "Aqui, no SUS de Aracaju, os profissionais da Vigilância em Saúde estão determinados em revisar e discutir coletivamente parâmetros técnicos de gravidade de casos de suspeito de dengue", afirmou.

Marco Aurélio definiu a oficina científica da URR como um espaço importante para discutir os principais achados laboratoriais (queda de plaquetas, aumento de hematócrito etc.). "Nesse encontro valorizamos a importância do reconhecimento precoce dos sinais de alerta da dengue no paciente, como dor abdominal intensa, sangramento e pressão baixa", disse o infectologista.