O ano é 2018 e a cidade é Aracaju. O racismo estrutural persiste e muitas vezes as pessoas negras sofrem discriminação nos mais diversos ambientes, inclusive durante atividades de lazer. Para buscar estratégias para o enfrentamento dos casos de racismo vivenciados pela população aracajuana, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Assistência Social, em parceria com o Ministério Público, através da Coordenação de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (COPIER) e do Grupo João Carlos Paes Mendonça (JCPM), que administra os Shoppings Jardins e Riomar, está realizando um curso de formação para trabalhadores e trabalhadoras dos shoppings sobre igualdade racial. As oficinas iniciaram na última segunda-feira, 5, e se estendem até o dia 21.
De acordo com o IBGE, mais de 50% da população brasileira é negra. Já em Sergipe e Aracaju, o percentual sobe para 70%. A diretora de Direitos Humanos da Secretaria da Assistência, Lídia Anjos, entende a oportunidade de ir até os grandes centros de consumo para dialogar sobre igualdade racial como um momento histórico. "Acreditamos muito no viés de construirmos a cidade com a população e com os diversos entes da sociedade, então estamos sempre atentos às demandas que as pessoas nos passam durante as nossas reuniões com os grupos sociais. Essa formação, inclusive, nasceu de uma dessas conversas e nós chegamos até o Ministério Público e através do intermédio da COPIER sentamos para dialogar com a administração do shopping sobre a viabilidade do projeto. Eles não somente prontamente aceitaram a ideia, como disponibilizaram cinco turnos de seus funcionários, então eu acredito muito que essa construção coletiva pode produzir bons frutos".
Aline Braga é jornalista e militante da União de Negras e Negros Pela Igualdade (Unegro). Como ministrante do curso, Aline aponta para avanços muito importantes para a equidade de raça que tiveram início neste curso de formação. "A impressão que eu tenho é que essas pessoas não tinham um onde debater essas questões raciais e nós chegamos para proporcionar esse ambiente; sabemos que o racismo é estrutural porque está arraigado nas bases da nossa sociedade. Outro fator bem interessante é que até pela forma como eles respondem às nossas provocações é perceptível que eles ansiavam por esse tipo de intervenção. É como se estivéssemos girando uma chave na fechadura".
"Nós precisamos trabalhar para uma mudança de perspectiva, para que as pessoas negras possam ocupar os mesmos espaços que as pessoas brancas dentro da sociedade. Cor de pele, formato de cabelo e outros fenótipos não definem capacidade, inteligência ou até mesmo poder de compra, e foi isso que viemos dialogar nessa formação nos shoppings. Eu fico muito feliz em ver e poder participar dessa ressignificação pela qual a cidade de Aracaju passa. Passos firmes e importantes foram dados para a promoção da Igualdade Racial e eu só tenho a agradecer à vice-prefeita e secretária da Assistência Social, Eliane Aquino, à toda a equipe da diretoria de Direitos Humanos na pessoa de Lídia Anjos e aos dirigentes da JCPM pela parceria", Luis Fausto Valois, coordenador Promoção da Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público.
Robson Santos é um homem negro. Ele também é inspetor de atendimento e trabalha na segurança do shopping Jardins há sete anos. De acordo com ele, todos os dias são oportunidades de lutar contra o racismo. "Quem é negro sabe que o preconceito está na composição da sociedade e que nós sempre somos olhados de uma forma diferente, simplesmente por causa da cor de nossa pele. Esse curso aqui é muitíssimo importante, porque traz informações e exemplos de como nós podemos melhorar enquanto profissionais e seres humanos".
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