"A arte liberta" e quando está relacionada ao fortalecimento da identidade se torna transformadora. Ciente disso, a Secretaria Municipal da Educação (Semed) está desenvolvendo o projeto "Quinta da Arte". A ação é uma iniciativa da coordenadoria de Artes (Coarte) da Semed e tem o objetivo de valorizar os alunos a partir de intervenções artísticas construídas em consonância com as suas realidades.
Essa primeira edição do projeto está sendo apresentada na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Jaime Araujo, localizada no bairro Soledade, na zona Norte de Aracaju. Todas as quintas do mês de maio a Coarte faz uma intervenção artística para os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Na quinta-feira, 11, os alunos receberam, na sala de aula, uma apresentação da banda Meados de Maio, seguida de uma leitura dramática de histórias de alunos do EJA de outras unidades de ensino e depois uma discussão sobre a importância da superação dos desafios para que se consiga concluir os estudos.
O diretor adjunto da Emef, José Marques, avaliou que o "Quinta da arte", apesar de novo, já está causando um impacto positivo na realidade da escola. "É uma novidade para eles, mas eles já me procuraram para contar como vivem, seus cotidianos para que suas histórias sejam compartilhadas com outros alunos de outras escolas e isso é muito bom, porque a gente já vê que está acontecendo um estímulo à permanência desses alunos em sala de aula", afirmou o diretor.
Fortalecimento da Identidade
Uma das histórias lidas da turma da sala de aula da segunda etapa foi chamada de "Marta, onde está isso?" e falava sobre a realidade de José Moura, 51 anos, aluno da primeira etapa do EJA. O ator da Coarte Felipe Santos de Jesus contou a história de um senhor que perdeu a visão porque trabalhava com soldas. A história coincidentemente se assemelhou à de um aluno da turma. João dos Santos, 40 anos, sofria de problemas de visão e muitas vezes pediu para deixar a sala de aula porque estava com dor de cabeça.
"Eu às vezes pedia para sair da sala porque meus olhos e minha cabeça ficavam doendo, mas eu tenho três filhos, de 11, 8 e 7 anos, e tinha vergonha de não conseguir acompanhá-los nas leituras, mas como eu não desisti agora já consigo fazer o dever com o mais novo", relatou o aluno.
Já Laiton Nunes da Graça de 16 anos, aluno da primeira etapa, gostou da história contada em sua sala, denominada de "TDH- o que é isso?" a história contava a realidade de Silvia Santos, 25 anos, que conseguiu concluir seus estudos porque teve muita força de vontade para superar o seu problema de desvio de atenção. Lailton não consegue se concentrar durante muito tempo na aula, ele relata que é cansaço, mas identificou que o que Silvia relatou era muito parecido com o que ele sentia.
"O que ela falou é exatamente o que eu sinto, nos dias da prova eu já esqueço o que eu estudei, eu não consigo ficar muito tempo prestando atenção na aula, mas agora eu tomei a decisão de que eu vou terminar meus estudos, porque eu quero um trabalho melhor", falou o aluno admirado com a semelhança com a sua história.
O Projeto
O projeto "Quinta da Arte" traz um resgate da história de alunos do EJA que enfrentam os mesmos problemas e dificuldades para concluírem seus estudos. O trabalho, por meio da memória oral, mobiliza a comunidade escolar na medida em que valoriza a vivência pessoal de seus integrantes. É nessa perspectiva que a atividade busca conhecer a realidade dos alunos a partir das suas próprias narrativas, levadas a público por meio das leituras dramáticas realizadas pelo núcleo de teatro da Semed.
Não é em vão que a banda Meados de Maio foi convidada para participar do projeto, como explica o coordenador de Artes da Semed, Rivaldino dos Santos. "A banda Meados de Maio é nossa parceira nessa ação, porque é formada por moradores do entorno escolar que contam, através de suas músicas, a realidade que todos aqui vivem e isso é fundamental, pois potencializamos ainda mais a nossa proposta de valorização da identidade desses alunos, à medida que eles se veem no que está sendo contado e no que está sendo cantado", relatou o coordenador.
O músico Tiago Souza relatou como eles sentem participando do projeto. "Nós moramos próximo à escola e todos aqui têm a mesma realidade, o que eu sinto é que estou cantando para as pessoas que são iguais a mim e que podem encontrar, inclusive na música, um caminho de vida. É muito importante nossa participação nesse projeto", enfatizou o músico.
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