Magia negra era o Pelé jogando, Cartola compondo, Milton cantando. Magia negra é magia que não acaba mais. Os versos de Sérgio Vaz representam toda a magia com que dezenas de pessoas comemoraram no palco da Rua de São João, no bairro Santo Antônio, o encerramento das atividades em alusão ao mês da Consciência Negra, neste 30 de novembro.
“O Dialogo Popular: Novembro Negro” teve o objetivo de promover uma reflexão a respeito da participação da mulher negra na sociedade aracajuana, potencializar as expressões culturais do território e dialogar sobre a prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, abuso e exploração sexual. Com um número extenso de atrações, o evento contou com várias apresentações musicais, coreográficas, declamação de poesias e percussão.
Ritmos misturados aos risos límpidos que por sua vez pintavam as peles negras e transformavam toda a coreografia em uma declaração de amor à própria raça. Em números absolutos, Aracaju figura como uma cidade onde grande parte da população é negra. Por esse motivo, a Secretaria Municipal da Assistência Social e Cidadania debate constantemente a respeito do reconhecimento e da valorização da população negra.
Para a vice-prefeita e secretária da Assistência Social, Eliane Aquino, o respeito mútuo e a informação são as maiores armas na luta contra o preconceito. “Nós desenvolvemos em nossos equipamentos diálogos de combate ao preconceito constantemente e esse fechamento do novembro negro não poderia ser mais especial. Temos a alegria de ter inúmeros parceiros juntos a nós em mais esse evento. Queremos chamar a atenção da sociedade para que eles possam perceber o mal que o preconceito causa. Hoje, aqui, as pessoas estão demonstrando o que é ser feliz e é isso que nós queremos para a nossa população: respeito, igualdade, dignidade e felicidade”.
O Diálogo popular foi organizado pelo Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Pedro Averan, em parceria com o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) São João de Deus. De acordo com Lara Cíntia, coordenadora da proteção social básica da Assistência, a prova de que um trabalho articulado está acontecendo é quando uma parte das ações realizadas são demandas da própria comunidade. “Isso só vem a demonstrar o compromisso que a gestão tem com as potencialidades dos territórios. Essa tarde gostosa foi produzida a várias mãos e é exatamente assim que entendemos que as políticas públicas devem ser realizadas”.
Morador antigo do bairro Santo Antônio, Antônio Rogério é um músico sergipano bastante conhecido. Ele foi acompanhado de Chiko Queiroga para participar do evento. Ele engrossou o coro no combate ao preconceito racial. “O racismo em pleno século XXI é uma estupidez descabida. Infelizmente ainda é algo muito presente em nossa sociedade e nós precisamos trabalhar dia após dia para que esse mal seja exterminado da nossa nação. Vir aqui nesse palco tão representativo para mim e cantar a minha música acompanhado desse irmão que é Chiko Queiroga é um presente gigantesco. Quero parabenizar a Prefeitura de Aracaju pela bela iniciativa”.
Luzia Ana Maria de Jesus é negra e operadora de materiais recicláveis. Ela encontrou no Cras Pedro Averan o apoio que precisava para melhorar de vida veio até o Diálogo Popular para agradecer. “Eu sou uma mulher negra e sei o que todas nós passamos por ser quem somos. Meu filho aprende com frequência sobre a cultura negra e eu fico muito feliz com isso, porque ele vai saber lidar e educar as pessoas para que elas não reproduzam preconceito. O Cras me fez construir uma nova história para a minha família”.
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