Na busca por fomentar e dar vazão às produções culturais audiovisuais produzidas na capital sergipana, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), está reestruturando o Núcleo de Produção Digital (NPD), com um investimento na ordem de R$ 500 mil provenientes da Lei Aldir Blanc. O papel do NPD em meio aos desafios surgidos da necessidade de cumprir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), sobretudo a quarentena extensa, cresceu bastante. Desta maneira, a reestruturação proposta busca criar mecanismos para que os profissionais afetados possam conduzir as atividades de suas respectivas áreas da melhor forma possível.

O presidente da Funcaju, Luciano Correia, destaca as excelentes perspectivas abertas para o audiovisual neste ano, tanto com os projetos anunciados como pela própria retomada do NPD.

“Nosso foco é buscar uma maior profissionalização do setor e isso envolve a total adesão de todos os membros da cadeia do audiovisual às rotinas produtivas, desde o operacional e logístico até as questões burocráticas, de planejamento. A imagem de desorganização que sempre imperou em grande parte das iniciativas sempre foi um obstáculo ao fortalecimento de um mercado. Nós queremos executar de forma capaz e transparente a parte do poder público, mas esperamos também uma contrapartida responsável e consequente por todos os atores da cadeia”, salienta Luciano.

O coordenador do NPD, Anderson Passos (‘Hot Black’), sustenta esse expressivo significado explicando que o objetivo é fazer do Núcleo um espaço marcado pela diversidade, refletindo a riqueza de saberes e vivências espalhadas por toda a capital.

“Ao longo dos seus 14 anos, o NPD é o principal lugar de deságue porque ele foi importante em uma série de produções, inclusive, renomadas, premiadas, nacional e internacionalmente. Talvez, dentro do Centro Cultural, naquele espaço imponente, as pessoas tenham a dificuldade de entender que aquilo os pertence. Assim, precisamos transformar o local em uma força centrípeta, onde a periferia seja puxada ao centro da produção, trazendo novas narrativas e olhares de quem ficava às margens, para que eles possam produzir o que nós chamamos de ‘novo imaginário’, o que é importante demais”, completa.

Nesse processo de reestruturação, a Funcaju realizou uma avaliação do inventário do NPD, quando constatou a necessidade de ampliação dos equipamentos para que seja possível dar vazão a toda a produção, inclusive de outros municípios do estado. Desta maneira, estão sendo firmados convênios tanto com o setor público quanto privado.

Aldir Blanc

Por meio dos R$ 500 mil disponibilizados ao setor através da lei Aldir Blanc, a pretensão é ampliar a qualidade da atuação do Núcleo de Produção Digital junto aos realizadores e cidadãos.

“A partir desse volume, uma série de filmes serão produzidos, licenciados, uma série de espaços para mostras, para encontro, webinário, workshop, oficinas de capacitação, todas elas, inclusive, serão ofertadas neste fomento, via edital. Tudo o que será feito, produzido, será um novo marco. E quando a gente fala que é meio milhão, não é um recurso simples, é um volume que nunca antes foi ofertado na cena audiovisual aracajuana. Na perspectiva de que nesse momento de isolamento houve um volume de trabalhos represados, temos que retomar com um outro olhar. Sem dúvida nenhuma, vamos redesenhar a cena do audiovisual”, reforça o coordenador do NPD.

Os recursos serão distribuídos de maneira a contemplar as diferentes cadeias produtivas do audiovisual, através de quatro eixos: no primeiro, o eixo ‘Difusão’, serão investidos R$100 mil no licenciamento, finalização e distribuição de obras audiovisuais; para o ‘Eixo Novas Produções Artísticas’, o investimento de R$250 mil será destinado à produção e finalização de curtas-metragens, webséries, videoclipes e roteiros de criação de novas produções artísticas de pequeno, médio e grande portes. A terceira vertente é denominada ‘Eixo Formação, Capacitação e Pesquisa’, que destinará R$50 mil ao estímulo do espaço de produção do conhecimento, ensino-aprendizado e conexões entre os fazedores e o público-alvo; já o ‘Eixo Festivais e Mostras’, cujo orçamento de R$100 mil, é voltado à produção e promoção de atividades de circulação, estudo e diálogos da cadeia do audiovisual.